O que o Jornalismo tem a ver com a nova fronteira da mineração?

Imagem – Captura de tela de reportagem publicada no site Sul21
Por Carine Massierer*

A mineração não é assunto novo no Brasil, mas passou a chamar mais atenção da imprensa quando ocorreram grandes acidentes em minas de propriedade da empresa Vale S/A localizadas em Minas Gerais. No Rio Grande do Sul a imprensa até então se dedicava a reproduzir notícias sobre estes acontecimentos e muito poucas vezes pautou a mineração no Estado.

Porém, em novembro de 2018, foi apresentado pelo governo do Estado um diagnóstico sobre a mineração e manifestada a intenção do poder público de atrair para o Rio Grande do Sul empresas com interesse na exploração das riquezas minerais. No momento, quatro grandes empreendimentos tramitam junto aos órgãos ambientais.

A partir disto, jornais de grande repercussão estadual e nacional, como Brasil de Fato, Sul21, Jornal do Comércio, ZH, Extra Classe e Correio do Povo passaram a noticiar o tema. Porém com uma rápida análise se percebe que os veículos de esquerda e jornais que tem como base os movimentos ressaltam os malefícios e se cercam de fontes e entrevistas para demonstrar o que pode ser causado pela nova fronteira da mineração. A imprensa com maior expressividade no Estado foca em relatar os acontecimentos sociais que envolvem a mineração.

E o que o Jornalismo tem a ver com a nova fronteira da mineração?
O jornalismo tem que contribuir para que a população tenha informações sobre de que forma a mineração pode afetar a sua vida e deve apresentar elementos para que as pessoas possam se manifestar. Além disto, ele pode e deve dar voz a quem mais precisa: as pessoas que podem ser afetadas pela mineração.

Na matéria publicada pelo Sul21 em 19 de junho, pode-se perceber que o jornalista Marco Weissheimer consegue dar voz a muitas fontes a respeito da mineração. A reportagem trata da formação de um comitê que envolve mais de 50 entidades contrárias aos projetos de megamineração no Estado e ouviu todos que participaram da reunião de formação do comitê, mostrando a preocupação dos movimentos com relação aos projetos que estão em processo de licenciamento ambiental.

O Mina Guaíba pretende extrair carvão a céu aberto em uma área localizada entre os municípios de Eldorado do Sul e Charqueadas; o projeto Caçapava do Sul quer minerar zinco, chumbo e cobre às margens do rio Camaquã; o projeto Três Estradas pretende extrair fosfato em uma região de Lavras do Sul; e o projeto Retiro quer extrair titânio em uma área localizada entre a Lagoa dos Patos e o Oceano Atlântico. Fala inclusive o líder do assentamento de Eldorado do Sul, pois as famílias seriam afetadas.

Porém, não consta no texto, sequer em link, a proposta do governo a respeito, muito menos informações que deem ao leitor uma noção cronológica da nova fronteira da mineração e como o legislativo e o judiciário têm se posicionado. Ou seja, apesar de ter muitas fontes, o “outro lado” também buscado pelo jornalismo, não está presente no texto.

*Carine Massierer é jornalista, mestre em Comunicação e Informação pela UFRGS e integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS).
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