Mongabay reforça o jornalismo ambiental no Brasil

Imagem: Captura de tela – Capa do site em português da agência de notícias criada pelo ambientalista Rhett Ayers Butler  para chamar a atenção sobre a importância social e ecológica das florestas tropicais

Roberto Villar Belmonte*

O jornalismo ambiental praticado no Brasil ganhou um reforço internacional. Desde 2019, a agência de notícias Mongabay começou a trabalhar com jornalistas brasileiros para cobrir no país mais megadiverso do planeta pautas sobre florestas tropicais, conservação, desmatamento, povos indígenas e infraestrutura. 

Notícias ambientais para informar e transformar é o que promete o serviço de jornalismo independente criado pelo ambientalista estadunidense Rhett Ayers Butler, de 42 anos, atualmente com 500 correspondentes em 70 países e produções originais em inglês, indonésio, espanhol e português. 

No seu site em português, a Mongabay diz que “visa aumentar o interesse e a valorização de terras e animais selvagens, ao examinar o impacto das tendências emergentes no clima, na tecnologia, na economia e nas finanças em conservação e desenvolvimento”.

O jornalismo ambiental com foco em conservação da vida silvestre não é inédito no Brasil. Esse também é o viés do site O Eco, criado em 2004, e da extinta revista Terra da Gente (2004-2014). A novidade é que a Mongabay chega em um momento de barbárie ecológica fomentada por um governo federal de extrema direita.

O fundador da Mongabay faz questão de dizer no site em inglês que não se posiciona acerca das controvérsias ambientais. Ela não seria uma organização que advoga em prol das florestas tropicais, mas uma agência de notícias que praticaria um jornalismo independente baseado em fatos.

Como a cobertura é especializada, não há uma publicação de conteúdo com a mesma frequência dos sites de hard news. No site em português, há praticamente uma publicação diária. O site sempre tem uma manchete principal e três destaques. E um detalhe importante: jornalistas colaboradores são pagos. 

No sábado passado (15 ago. 2020),  a manchete de capa era uma notícia sobre os dados mais recentes do Projeto de Monitoramento da Amazônia Andina (MAAP): 242 focos de incêndio na Amazônia Legal brasileira entre 28 de maio e 12 de agosto, “quase a área do município de São Paulo”.  

Entre os destaques, uma reportagem assinada pelo jornalista Dimas Marques, criador do site Fauna News, explicando “como funciona o comércio ilegal que transforma papagaios livres em pets”, publicada no dia 13 agosto. O crime aconteceria anualmente no bioma Cerrado entre agosto e novembro.  

Em outro destaque na capa do site em português, Tiffany Higgins alerta: “O governo federal planeja escavar e dragar milhões de metros cúbicos de rochas e areia do Rio Tocantins no Pará – inclusive no delicado ecossistema conhecido como Pedral do Lourenço, habitat de espécies endêmicas de peixe”. 

Mongabay foi lançado em 1999 como um site de divulgação científica sobre florestas tropicais. A transformação em agência de notícias internacional ganhou fôlego em 2012 com a contratação de uma equipe na Indonésia. Em 2016, Rhett Butler lançou o serviço em espanhol focado na América Latina e no ano passado chegou ao Brasil.

O nome Mongabay é uma homenagem do ambientalista Rhett Butller a uma pequena ilha (Nosy Mangabe) localizada no nordeste de Madagascar considerada um paraíso da vida silvestre. O logo da agência de notícias é inspirado em um pequeno lagarto (day gecko) que vive naquela região. 

A Mongabay não é o único serviço estrangeiro que cobre meio ambiente no país. Pautas ambientais também fazem parte do noticiário da Agência Inter Press Service (IPS), El País Brasil, The Intercept Brasil, Le Monde Diplomatique Brasil, BBC Brasil e Deutsche Welle Brasil.

*Roberto Villar Belmonte é jornalista, professor e pesquisador dedicado à cobertura ambiental. Membro do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS).

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