Desmatamento no Brasil: informação já temos, o que precisamos é agir

Cláudia Herte de Moraes *

Fonte: https://www.oeco.org.br/reportagens/relatorio-mostra-que-998-dos-desmatamentos-no-brasil-em-2020-foram-ilegais/

A informação e a comunicação de dados ambientais são crescentes, sendo cada vez mais relevantes para dar subsídios à tomada de decisões, especialmente, aos formuladores de políticas públicas. Num mundo ideal (ou pelo menos inteligente), sociedade e seus cidadãos, bem como os poderes instituídos deveriam utilizar o conhecimento destes dados para proteger a vida em primeiro lugar, e respeitar os preceitos da proteção ambiental é um caminho bastante importante para o Brasil, devido aos seus biomas ricos em biodiversidade. No lançamento do MapBiomas Alerta, em 11 de junho de 2021, o destaque foi dado ao crescimento do desmatamento em todos os seis biomas brasileiros que fazem parte do monitoramento. O crescimento foi de “13,6% em 2020, atingindo 13.853 km2 (1.385.300 hectares), uma área nove vezes maior que a cidade de São Paulo. Desse total, 61% estão na Amazônia.”. A análise inédita de 74.218 alertas de desmatamento no Brasil está publicada e aberta ao público. (https://mapbiomas.org/pais-perdeu-24-arvores-por-segundo-em-2020).


O MapBiomas Alerta é uma iniciativa do consórcio MapBiomas constituído por mais de 20 instituições, entre ONGs, universidades e startups de tecnologia. Seu objetivo é processar os alertas de desmatamento emitidos por cinco sistemas: o Deter (do Inpe, para a Amazônia e o Cerrado), o SAD (do Imazon, para a Amazônia), o Glad (da Universidade de Maryland, para Mata Atlântica, Pantanal e Pampa), o Sirad-X (do Instituto Socioambiental, para a bacia do Xingu), e ainda incluindo os dados do novo SAD Caatinga (da Universidade Estadual de Feira de Santana e da Geodatin).


A iniciativa MapBiomas surgiu para buscar ferramentas para a compreensão sobre os fatos relacionados ao território brasileiro em relação à emissão de gases de efeito estufa no país, conforme pontuou Tasso Azevedo (Observatório do Clima), na live de lançamento do MapBiomas Alerta. Com isso, é possível organizar o conhecimento tanto em relação ao desmatamento, quanto a outras transformações importantes nos biomas, por exemplo, com a exploração e extração mineral, a utilização de água, a urbanização entre outras. A base do trabalho se dá com auxílio de softwares de aprendizagem de máquina, capaz de auxiliar na interpretação de imagens de satélites, cruzamento de dados, trazendo aos mais de 100 profissionais envolvidos, a possibilidade de interpretação de dados em nuvem, de forma ampliada e em tempo recorde.


A equipe do MapBiomas concluiu que o desmatamento está crescente em todos os biomas e é, em sua vasta maioria, composto de casos de atividades ilegais. Mais de 70% se dá em domínios privados e há possibilidade de responsabilização de ⅔ das áreas desmatadas. No entanto, também apontam que 99% das propriedades rurais não tiveram desmatamento em 2020 – e sofrem com a impunidade daqueles que infringem as leis. Para tratar deste tema neste Observatório de Jornalismo Ambiental, fizemos uma busca exploratória no Google, em busca da repercussão nos jornais, com os termos “Relatório inédito do MapBiomas Alerta”, na data de 13 de junho. A partir das publicações encontradas, pudemos conferir que houve boa repercussão das informações, tanto em portais, jornais alternativos e sites especializados ou institucionais, quanto em jornais e portais mais tradicionais da imprensa brasileira.

Listagem das principais notícias sobre MapBiomas Alerta

Com essa repercussão, que deve ser ampliada durante esta semana, podemos concluir que estamos num momento de intensa proliferação de informações e dados ambientais, sendo que o nosso maior problema é o que está sendo feito (ou não) com estas informações e alertas científicos. Estamos ingressando na década considerada determinante quanto aos destinos e rumos de nossa civilização, levando em conta que estamos muito próximos do ponto de não-retorno quanto à mudança do clima global. A informação ambiental está clara e os cidadãos e seus representantes na política, especialistas e empresários, todos nós precisamos entender esse alerta. A hora é, portanto, de ação. O jornalismo também precisa direcionar sua cobertura quanto aos alertas, e avançar ainda mais no questionamento sobre a falta de ação, especialmente por parte de agentes públicos e de fiscalização, para que haja a real responsabilização dos desmatadores no Brasil.

*Jornalista, doutora em Comunicação e Informação, professora na UFSM, Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS). E Mail: claudia.moraes@ufsm.br

Silenciados: quem fala pelo Brasil como “empecilho” ao acordo Mercosul-UE?

Imagem: captura de tela do site Ele Pais Brasil

Eutalita Bezerra*

Na última semana, questões envolvendo o tratado de comércio entre a União Europeia(UE) e o Mercosul foram intensamente divulgadas no Brasil, especialmente, porque a aplicação do acordo, assinado em junho de 2019, tem esbarrado na questão ambiental e no posicionamento do presidente brasileiro acerca das questões ambientais.

Na última quinta (11), uma reunião com representantes dos 27 países signatários buscava um caminho para ratificar o acordo. Dentre os contrários à implantação do tratado de comércio nas atuais condições estão nações, lideradas pela Áustria e a França, que acreditam que o pacto contraria os objetivos climáticos da União Europeia.


No jornalismo de El Pais Brasil, porém, a celeuma não passa de um caso de política externa de outros países, o que não nos inclui. Em seu site, o jornal abordou o assunto em publicação no último dia 12. Falou em “maior acordo comercial jamais alcançado”, se desdobrou para apresentar os motivos alegados por esse grupo de países para negar o acordo, dentre os quais de que poderia acelerar o processo de desmatamento na Amazônia. E, por fim, contrabalanceou estes mesmos posicionamentos, sugerindo que a bandeira ambientalista pode estar sendo erguida apenas para disfarçar o protecionismo.


Ocorre, porém, que a discussão sobre a pressão que o acordo poderia fazer sobre a Amazônia, bem como aquela em relação ao que significa o aumento da exportação de carne pelo Brasil – somente para apontar um dos pontos nevrálgicos desse acordo – ficou apenas no campo político. Embora tenha tentado aprofundar os lugares assumidos pela Áustria, Países Baixos, Irlanda e Bélgica, El Pais não abordou em qualquer outro momento o que, de fato, isso significa para o nosso país do ponto de vista ambiental, nem nesta e nem em outras publicações sobre o assunto, como podemos ver adiante.


Linkada ao texto que citamos, encontra-se, por exemplo uma matéria publicada na assinatura do pacto na qual o meio ambiente sequer é citado. Se fizermos uma busca mais aprofundada sobre o assunto no site, encontraremos um texto sobre denúncia do Greenpeace em relação à falta de cláusulas vinculantes de proteção ambiental, publicado no ano passado, e uma entrevista com o comissário de Comércio da UE, Valdis Dombrovskis, esta unicamente focada na questão político-econômica. Houve ainda, uma publicação que apresenta o posicionamento francês diante do assunto.


O El Pais, que é, muitas vezes, um sopro de coragem diante de várias pautas, dentre as quais a ambiental, em nenhuma das situações, porém, deu espaço para ouvir os principais afetados pelo tratado: povos indígenas, trabalhadores possivelmente precarizados pelo acordo e instituições brasileiras de proteção ao meio ambiente que não sejam pautadas pelo mesmo capital que dizem lutar contra. Aliás, é possível dizer que nenhuma das publicações contou sequer com fontes brasileiras, além de um tweet do presidente e um comunicado do governo, que em nada ajudam a compreender a complexidade desse tratado se aplicado nos termos atuais.


Embora seja o Brasil o centro da discussão, o jornalismo de El Pais Brasil nos mantém coadjuvantes. Tão calados quanto nos obriga o chefe do executivo federal, que vergonhosamente coloca o nosso país na posição de ameaça ao meio ambiente. Tão silenciados que seguimos aguardando que outros decidam por nós o nosso futuro.

*Jornalista, doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS. Membro do Grupo de Pesquisa Jornalismo e Ambiente. eutalita@gmail.com

Onde estão os vaga-lumes?Meio ambiente, nosso modus vivendi e realidades pouco abordadas pelo jornalismo

Fonte: Pixabay

*Por Ursula Schilling

Dia desses, assistindo, com minha filha de 2 anos e meio, a um canal infantil só sobre animais, apareceu, não me lembro em que contexto, o desenho de um vaga-lume. Minha pequena companheira fitou a tela admirada. Até aquele dia, não vira ou ouvira falar da criatura. Ao que ela me olhou, curiosa, tentei explicar: “é um vaga-lume, filha, um inseto que brilha no escuro… não se vê muitos por aí”.

Dei-me conta, então, de que eu mesma não os vejo desde a infância. Até os meus 10 anos de idade (isso faz bastante tempo), mais ou menos, ainda era comum assistir, nos fundos da minha casa, de onde se avistava um imenso terreno verde, ao espetáculo luminoso de centenas desses pequenos animais piscantes.

Mas onde estão, afinal, os vaga-lumes? Por que não ouço ninguém falar do seu sumiço? Segundo matéria publicada no site da revista Superinteressante, em fevereiro deste ano, esses insetos estão sob risco de extinção. Entre as causas apontadas: uso de agroquímicos, que podem exterminá-los do ambiente ainda em estágio larval; perda de habitat em função da ocupação humana e consequente destruição ambiental; poluição luminosa, visto que as luzes artificiais afetam o ritmo de diversos animais, inclusive o nosso.

Fonte: Captura de tela do site da revista Superinteressante

O desaparecimento de espécies, sejam elas grandes ou pequenas, não parece receber destaque das manchetes. E, se não está nos jornais, compreendidos aqui quaisquer canais de mídia, é como se não fizesse parte de nossa realidade, como se não nos afetasse ou fosse algo muito distante.

Há diversos autores e teorias que explicam porque isso ocorre. Ainda que não seja o único elemento a sere considerado na construção social da realidade, o jornalismo tem papel significativo nessa construção, seja ela objetiva ou subjetiva. O jornalista interpreta os acontecimentos na sua produção discursiva e, por meio das notícias, o indivíduo poderá interpretar o mundo que o cerca e será afetado em maior ou menor grau pelas notícias. É uma forma de conhecer e conhecer-se no mundo. Com isso, podemos ter a falsa impressão de que aquilo que não nos é contado (ou que não faz parte de nossa realidade imediata) não existe. E, se não existe, como refletir a respeito?

Em se tratando da pauta ambiental, sabemos que catástrofes como queimadas, eventos climáticos dramáticos e rompimento de barragens, por exemplo, ainda são grandes ganchos para a cobertura do tema. A importância de tais tópicos é inquestionável, mas e os reflexos do nosso dia a dia no meio ambiente? Aquilo que não é catastrófico no curto prazo ou não grita aos nossos olhos, mas que tem resultados igualmente desastrosos, merece e deve ser agendado jornalisticamente.

Precisamos exercer e demandar um jornalismo que questione nosso modus vivendi, que traga discussões incômodas mas necessárias. Do contrário, não são só os animais que desaparecerão. Não é um processo simples, são muitos vieses e caminhos possíveis.

Por ora, terei de mostrar as luzes de natal à minha filha e dizer: “assim brilham os vaga-lumes”, desejando que ela tenha a oportunidade de conhecê-los ao vivo, e não somente pela televisão.

*Jornalista, mãe, membro do Núcleo de Ecojornalistas do RS.

O racismo ambiental e o jornalismo míope

Imagem: Captura de tela do site Periferia em Movimento

Por Mathias Lengert*

Mariana, Minas Gerais, novembro de 2015. Um mar de lama contamina a bacia do Rio Doce, vitima 19 pessoas e arruína povoados e distritos próximos. Mais de 80% da população atingida é negra. A tragédia, que agora completa 5 anos (ainda sem todas as indenizações pagas), ilustra um recorrente processo de marginalização, empobrecimento e desigualdade étnica e racial em torno de direitos socioambientais.


Em resumo, trata-se do racismo ambiental. A definição ainda carece de visibilidade social, política e jornalística para evidenciar a maneira desproporcional que problemas ambientais impactam os grupos mais vulneráveis. As demandas por justiça ambiental são reivindicações das populações negras e indígenas, sobretudo no Brasil. O Dia da Consciência Negra, na última sexta-feira (20), reacende a reflexão sobre o racismo estrutural e suas implicações na mídia.


O assunto aparece timidamente nas coberturas, por ora, ainda restrito aos esforços do jornalismo alternativo em sondar os impactos da degradação ambiental na vida da população marginalizada, agravada nesse momento em razão da pandemia do Covid-19. Reportando a situação de vítimas afetadas pelo derramamento de óleo no litoral da Bahia, o site de notícias Brasil de Fato denuncia o descaso governamental com a formulação de políticas públicas para as comunidades negras. A fala da militante e pescadora quilombola Marizelia Lopes na reportagem exemplifica a vulnerabilidade: é uma “cegueira intencional”.


Além de estar presente no Estado, a invisibilidade do racismo ambiental é exercida nos jornais tradicionais, que não voltam suas coberturas ao tema e suas soluções possíveis. O jornalismo deve exercitar um olhar consciente que a defesa da vida exige responsabilidade com a mobilização coletiva por justiça ambiental. Ante a cegueira que se faz proposital, é preciso, tal como propõe o jornalismo ambiental, enxergar novos referenciais de igualdade na relação da humanidade com a natureza.


Noticiando a exposição de crianças à degradação ambiental urbana, o site de notícias paulistano Periferia em Movimento relatou a frustração de moradores de favela com a ausência de saneamento básico e indicou dados desses impactos na saúde infantil. O destaque coube aos pesquisadores e ONGs, sem uma ênfase categórica na opinião da população periférica.


A ausência de realce da imprensa em perspectivas que atentem às circunstâncias sensíveis às vivências e às discriminações raciais sofridas reflete um despreparo em apurar os fatos de maneira crítica, investigando as estruturas sociais que perpetuam práticas racistas. A projeção da injustiça ambiental nos debates sociais exige que o jornalismo priorize uma agenda voltada ao âmbito local, e pautada na resolução dos problemas no dia a dia das pessoas vulneráveis.


Para que essa mudança ocorra, além de relatar os casos de racismo ambiental, o jornalismo deve apostar em uma abordagem que compreenda também as dimensões econômica, cultural e política da questão, bem como, que ecoe as reivindicações da população negra marginalizada.

  • Mathias Lengert é jornalista, mestrando em Comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e integrante do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS). E-mail: mathias.lengert@gmail.com

Sofrimento animal ou destruição do solo: foodtechs trazem a comida do futuro?

Por Eutalita Bezerra

Fonte: Ilustração de Vitor Amirabile para GQ (2020)

Em tempos de “agro é tech”, a comida tem sido tratada como “negócio tecnológico, bilionário e para todos”, é o que diz texto publicado no último dia 1 de novembro – não por acaso, o dia mundial do Veganismo – na versão digital da GQ. Descrita como “a revista para o homem moderno, com reportagens e entrevistas sobre moda, cultura, mulheres, tecnologia, saúde, viagem, gastronomia, carros, motos e muito mais”, em seu discurso GQ converte o movimento vegano em celeiro de inovações e espaço para explosões em vendas de produtos que emulam carne animal, as chamadas proteínas alternativas.  Nesse cenário, buscamos entender: do ponto de vista ambiental, no que implica admitir a comida, insumo tão básico para a nossa sobrevivência, como mercadoria de foodtechs?

Embora mencione o movimento vegano desde o título da reportagem – “Veganismo ganha mercado com inovações e adeptos nada radicais” – GQ parece desconsiderar a verdadeira etimologia do termo, criado em 1944 pela Vegan Society, instituição mais antiga do mundo nesse nicho. Trata-se de uma“doutrina pela qual as pessoas devem viver sem explorar animais”, não sendo, portanto, uma dieta, mas um “conjunto de ações em todos os aspectos da vida que demonstra recusa ao sofrimento dos animais”, conforme publicação do Portal Vista-se, referência em veganismo no País. Aliás cabe dizer que o texto está publicado numa cartola de Gastronomia – repetimos, veganismo não é dieta! – mas pouco ou nada tem com esta, podendo, fatalmente, estar numa editoria de economia e/ou de tecnologia, sem prejuízo.

Em relação aos dizeres acerca da produção animal para consumo humano, é sabido, e GQ reforça, que existe um forte impacto da pecuária extensiva no meio ambiente e é neste ponto que a publicação se coloca ao lado dos veganos, afirmando que as empresas de produção tecnológica das tais proteínas alternativas estão “movidas pelos dados do impacto da pecuária no meio ambiente e pelo malefício que o excesso de carne animal provoca no bem-estar pessoal.” Embora baste uma leitura um pouco mais atenta e logo se saberá que esta preocupação é contestável.

O texto ao qual analisamos, que se assemelha a uma colagem de informações colhidas internet afora, se esmera em explicar de que maneira a diminuição no consumo de proteína animal degrada o solo, consome água, além de emitir gases prejudiciais ao meio. O que não está claro e nem problematizado é de onde vem a produção vegetal utilizada na constituição da aclamada “comida do futuro” e, embora cite uma das empresas como “a versão mais saudável possível de carnes vegetais: nada de soja, glúten, açúcar e ingredientes transgênicos”, não torna claro para o consumidor os problemas do consumo desses componentes, além de permitir a inferência de que as demais empresas admitidas como opções mais saudáveis para os humanos e o planeta não estão muito preocupadas com os impactos das monoculturas ou dos organismos geneticamente modificados.

Ademais, a publicação ainda apresenta uma categorização no mínimo curiosa dos possíveis consumidores das foodtechs: além dos onívoros, ovolactovegetarianos e os vegetarianos propriamente ditos (os quais eles descrevem como “a tribo que só come planta, os veganos”, num movimento de claro desconhecimento da questão já levantada), os “flexitarianos” ou “reducetarianos”, que se diz de quem opta por não comer proteína animal em algumas refeições ou dias da semana. Estes recebem da GQ o emblema de “conscientes, mas não radicais” e é admitido que suas escolhas trariam “um ganho imenso ao planeta”, segundo o ex-Beatle Paul McCartney, criador do movimento #segundasemcarne, descrito pela revista.

Não acreditamos que o ganho imenso seja realmente sentido pelo planeta, mas estamos certos de que, aos bolsos dos criadores destas empresas de fake food, isso é uma realidade. Ao que parece, além de se utilizar de um suposto discurso vegano, superficial e desconectado da realidade, apenas como chamariz para a venda, a responsabilidade dessas empresas perante o meio ambiente e a saúde humana não são realmente tão relevantes quanto quis desenhar a publicação. Para nós, a partir do texto analisado, o discurso da comida do futuro é mais do mesmo. Mas pincelado de verde.

* Doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS. Membro do GPJA. E-mail: eutalita@gmail.com

Imprensa foge ao debate sobre os malefícios da mineração no RS

Fonte: Captura de tela parcial do site Sul21

Por Cláudia Herte de Moraes *

O Rio Grande do Sul está sob ameaça. Estamos falando da possibilidade de instalação de mais de 150 projetos de mineração em várias regiões do estado. A mineração definitivamente não é sustentável. Além disso, a gestão irresponsável do setor, em vários momentos, coloca em risco ambientes e populações. Merecem registro os recentes acontecimentos que marcaram as grandes tragédias de Mariana (2015) e Brumadinho (2019), ainda sem recuperação ou compensação ambiental possível, diante das perdas humanas, de biodiversidade e de modos de vida dos atingidos.

Os desafios da luta ambiental são constantes e o mesmo sistema capitalista, responsável pela crise climática, não dá sinais de renúncia à ganância que lhe é peculiar. As ameaças da mineração estão na pauta da sociedadee os grupos organizados pela luta ambiental estão na ativa. Na última semana, acompanhando o movimento contra a mineração, o webjornal Sul21 foi o único a publicar a Carta do Rio Camaquã, manifestação de mais de 90 entidades ambientalistas, sindicatos, representações estudantis e acadêmicas. No documento são trazidas informações importantes para o esclarecimento público, contendo a denúncia de que, além da mineração, está em curso projeto para instalação de uma hidrelétrica no Rio Camaquã, por Acordo de Cooperação Técnica entre a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (SEMA). O Sul21 fez reportagem chamando a atenção da população gaúcha frente às ameaças de perdas na área socioambiental. O webjornal é uma exceção entre veículos da imprensa gaúcha, pois dá espaço aos movimentos e trata a mineração como um problema, ou seja, pontuando os malefícios, para além do discurso produtivista. Em 2019, texto de Carine Massierer neste Observatório, já indicava essa situação preocupante, para a qual o restante dos veículos não buscam dar atenção.

Por outro lado, podemos observar que os movimentos sociais procuram manter suas vozes ativas no debate, especialmente quanto a conflitos ambientais, nos quais o destino das comunidades está em jogo. Neste sentido, analisamos as postagens na rede social Facebook do grupo de moradores, em ação pelo midiativismo ambiental, sobre o projeto de mineração no Rio Camaquã (RS). Refletindo sobre as postagens de resistência na sua interconexão com a luta pelo direito ao ambiente saudável, examinamos tanto a página Rio Camaquã – União Pela Preservação, como notícias governamentais e de um jornal de referência. A observação foi de um período de cinco anos e concluímos que há uma atenção muito limitada ao conflito, ou seja, o debate público sobre a mineração não ocorre de forma ampla no jornalismo gaúcho, além do que estes projetos são geralmente justificados pelos “ganhos econômicos do empreendimento”. O artigo publicado no início de 2020, foi feito em coautoria com Eliege Fante.

Também atuando em prol do debate público, está o Núcleo de Ecojornalistas do RS (NEJ-RS), entidade que reúne jornalistas engajados e especializados na pauta ambiental. O NEJ-RS realiza o evento Terça Ecológica abordando “O mapa da megamineração no RS: Riscos e estratégias de enfrentamento”, com Eduardo Raguse Quadros, engenheiro ambiental e integrante da coordenação do Comitê de Combate à Megamineração no Rio Grande do Sul (CCMRS) neste 27 de outubro. Os projetos em debate, caso aprovados, farão do RS o terceiro estado minerador do país, resultando em prováveis impactos negativos ao ambiente e às populações atingidas. O evento é apoiado pelo Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental (GPJA) CNPq/UFRGS.

*Jornalista, doutora em Comunicação e Informação, professora na UFSM, Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS). Email: claudia.moraes@ufsm.br

A destruição das florestas: sem conhecimento, valorização e respeito

*Patrícia Kolling

Fonte: Captura de tela do site El Pais Brasil

“Mas para os povos indígenas uma coisa é clara: quanto menos você sabe sobre algo, menos valor isso tem para você ― e, portanto, mais fácil será de destruir”. 

Esta frase da líder ambiental da comunidade waorani, Nemonte Nenquimo, é um dos apelos por ela escritos na Carta da Amazônia, uma mensagem direcionada aos nove presidentes de países amazônicos, publicada no jornal El Pais, em 12 de outubro, (Vale a pena a leitura na integra). Trata-se de uma carta escrita com conhecimento e sentimento, que clama respeito à floresta e aos povos indígenas. Nemonte Nenquimo destaca os milhares de anos que os povos indígenas levaram para conhecer a floresta Amazônica. “Entender suas formas, seus segredos, aprender a sobreviver e a prosperar com ela”, explica. 

O que Nemonte Nenquino diz se torna ainda mais potente diante das falas dos nossos governantes sobre esse assunto.  Na última terça-feira, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defendeu o aumento de cabeças de gado no Pantanal para que comam o mato que serve de combustível e agrava as queimadas. A exemplo da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ele defendeu a tese do “boi bombeiro” e a expansão da pecuária na região para conter incêndios. Na matéria citada, no entanto, especialistas criticam essa visão, apontando que a criação de gado aumentou no Pantanal nos últimos anos, ao invés de diminuir, rebatendo a ideia de que os bois seriam fundamentais para impedir incêndios. Além disso, um dos focos de incêndio que devastou recentemente uma área de conservação no Pantanal teve início, segundo perícia, justamente numa fazenda de criação de gado nas redondezas.

A leitura destes dois textos nos instiga a refletir sobre a necessidade do jornalismo valorizar a pluralidade de enfoques e vozes. O primeiro deles é uma carta escrita por um povo que vive próximo à terra e, como diz Nemonte, “são os primeiros a escutar seu choro”. Os waorani têm na floresta a sua principal professora: “esta floresta nos ensinou a caminhar com rapidez, e, como a escutamos, como aprendemos com ela e a defendemos, ela nos deu tudo: água, ar limpo, alimentos, remédios, felicidade, espiritualidade”, destaca o documento.  O segundo texto, escrito por um jornalista, reproduz falas de políticos que precisam mostrar preocupação com o desmatamento e as queimadas, diante da ameaça internacional de boicote aos negócios com o Brasil. A pressão para que o governo brasileiro tome medidas para reduzir o desmatamento na Amazônia e o receio de que a imagem de vilão ambiental possa prejudicar a ratificação do acordo Mercosul-União Europeia fazem com que o governo negue o problema e reproduza informações sem bases científica ou estatística, ignorando também conhecimentos tradicionais. O esforço jornalístico está justamente em recusar tais declarações, trazendo à pauta também a perspectiva científica.

Entra aqui a reflexão sobre o papel dos jornalistas e educadores na confrontação de informações. Há necessidade da diversidade de fontes, das fontes cidadãs (ou seja, as não oficiais), das fontes especialistas, das fontes políticas – tal, como fez o jornalista ao confrontar com especialistas as falas do Ministro do Meio Ambiente. É preciso informações contextualizadas, é preciso pesquisa; como na matéria, em que pesquisadores explicam detalhadamente os danos do desmatamento e da degradação, assim como nas citadas pelo colega Matheus Cervo neste Observatório da semana passada. Pois, como diz Nemonte, para valorizar e respeitar é preciso conhecer, saber sobre o tema, vivenciar.

*Patrícia é jornalista, doutoranda da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professora da Universidade Federal de Mato Grosso.

Comunicações criativas na transmissão de informações sobre as queimadas

Por Matheus Cervo*

 Infelizmente, pode-se dizer que não é novidade que vários veículos de comunicação têm noticiado as catástrofes ambientais que acontecem no Brasil e na América Latina. Nesta última semana, Antônio Nobre, sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), manifestou-se ao Uol para afirmar que estamos chegando a um ponto de não retorno em relação à recuperação dos nossos principais biomas. Estamos vivendo um cenário catastrófico que se expressa de forma drástica nas queimadas, no recorde de temperatura para setembro em 2020 e na própria pandemia do Covid-19.

    Para pessoas que possuem um estilo de vida urbano, as queimadas parecem um fenômeno distante, mas não são. Uma breve pesquisa nas notícias que focam a cidade de Porto Alegre, urbe onde reside o Observatório de Jornalismo Ambiental, mostra como os fenômenos locais estão intimamente ligados aos nacionais e globais devido às mudanças climáticas em curso. Tanto a Zero Hora quando o G1 noticiaram as grandes cenas de fumaça que puderam ser vistas pelos que vivem na nossa cidade. Diferentes meios noticiam a questão de saúde que se agrava à população urbana por causa das chuvas pretas que caem no sul do Brasil e pelas fumaças que pioram problemas respiratórios.

É possível perceber que algumas formas de noticiar as mudanças climáticas em curso tentam estabelecer as conexões entre os diferentes espaços do globo terrestre de forma criativa. El País fez uma matéria interessante chamada “O tamanho da área queimada na Amazônia e no Pantanal, comparada com sua cidade”, onde foram criados infográficos feitos a partir de imagens de satélite. Com dados provenientes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora o desmatamento no Brasil, foi possível perceber que se perdeu cerca de 20.000 hectares, ou 200 quilômetros quadrados, de vegetação devido às queimadas. Em cima das imagens de satélite de diferentes cidades, foi criado um círculo vermelho que representa a área em tamanho real para percebermos como seria o impacto caso o fenômeno tivesse ocorrido nos espaços urbanos.

Pode-se compreender que, hoje, há uma dificuldade de comunicar os fenômenos climáticos devido à complexidade do momento histórico em que vivemos. Mesmo as matérias que mostram as grandes fumaças ou as chuvas pretas afetando as grandes cidades não parecem o suficiente para criar uma sensibilidade na recepção dos citadinos que recebem as comunicações provenientes do jornalismo que enfoca as questões climáticas. 

Os recursos digitais relacionados ao design da informação permitem criar sínteses que comunicam os fenômenos de forma diferente do que permite o meio textual ou mesmo o fotográfico. Talvez essa seja mais uma forma de auxiliar na sensibilização do público urbano frente aos impactos ambientais que assolam nossa existência neste século.

* Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e mestrando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da mesma universidade. Acesso ao lattes: http://lattes.cnpq.br/8290548520385605.

A grande questão comum aos biomas brasileiros

Fonte: Captura de tela parcial da capa da publicação Campo Nativo e Pastagens

Por Eliege Fante*

Uma busca no Google com as palavras-chaves “Amazônia; Pampa” resulta em dezenas de páginas com notícias, e textos acadêmicos e/ou de órgãos de governos e instituições para estudo ou conhecimento sobre ambos biomas. A questão das queimadas, comum aos biomas brasileiros, apareceu como nesta notícia ao mostrar a incidência do fogo. Em geral, a abordagem inclui o combate, a fiscalização, as multas e punições previstas, a eficácia das leis. 

Apareceu também a questão comum da perda por supressão como nesta notícia do IBGE e republicada, em que somos informados do resultado da conversão de áreas, ainda que não trate das motivações: “‘O Pantanal tem como atividade tradicional o pasto nativo, mas ele vem sendo substituído pela pastagem por manejo, por meio da substituição por forrageiras exóticas, ou seja, gramíneas que não são originais do Pantanal’, observou.” O destaque na fala é nosso para provocar a reflexão sobre as motivações desse maior valor investido no que é exótico e na contramão da experiência e do conhecimento científico e técnico local sobre a biodiversidade nativa. 

As queimadas na Amazônia, e demais biomas onde os índices têm dado saltos em relação a anos atrás, são criminosas e têm a finalidade de suprimir a biodiversidade para transformar as áreas em campo, seja para pecuária em pastagem plantada ou para monocultura de soja (ou qualquer outra monocultura exótica que o mercado internacional de commodities ditar, como de eucalipto). Diante disso, a grande questão comum aos biomas brasileiros e a ser feita aos decisores das políticas públicas e privadas, por toda a sociedade, muito além do Jornalismo e das empresas dos meios de comunicação (que não estão fazendo) é: Por que investir em pecuária no bioma Amazônico, o centro do debate mundial sobre degradação e que é florestal, ou seja, possibilita outras atividades econômico-produtivas, quando seria possível incentivar a pecuária que conserva a biodiversidade nos campos do Sul do país? 

Em acordo com a Rede de Pesquisa Campos Sulinos, que reúne grupos e pesquisadores de diversas universidades e centros de pesquisas do Brasil: “não parece lógico que no Brasil se desmate floresta na Amazônia para lá ampliar as áreas de pecuária, baseada em pastagens plantadas, e se eliminem milhares de hectares de campos nativos no Sul do Brasil para produzir grãos para exportação ou plantar árvores exóticas”. Este alerta de 2015 é fundamentado por trabalhos que acumulam dados e experimentos e pode ser conferido na publicação Os Campos  do Sul, entre outras. 

Os números recentes sobre o estado de conservação do bioma Pampa podem ser conferidos nesta live do MapBiomas. Já as questões sobre as atividades econômico-produtivas coerentes com as características dos ecossistemas campestres são respondidas pelo professor e pesquisador Valério de Patta Pillar, coordenador da Rede Campos Sulinos, nesta live realizada pelo Núcleo de Ecojornalistas do Rio Grande do Sul.   

É de julho de 2020 a publicação “Revista Campo Nativo & Pastagens” que traz a opinião do professor e pesquisador Carlos Nabinger: “a pesquisa demonstra que é possível aumentar em cerca de 300% a produtividade animal em campo nativo apenas com adequado ajuste da carga animal e do diferimento estratégico de potreiros, e ainda melhorando os serviços ecossistêmicos. Isso significa passar da média estadual (no Rio Grande do Sul) atual de 70 Kg de peso vivo produzidos por hectare/ano para mais de 200 Kg sem qualquer custo adicional e ainda produzindo produtos com qualidades superiores para a nutrição e saúde humana.”

Portanto, o que está em jogo são as políticas públicas e privadas que homogeneízam os territórios. Delas decorre a exclusão da diversidade para a concentração de riquezas e o silenciamento da pesquisa e da ciência. À imprensa, talvez não seja tão urgente seguir nessa busca por sensibilização do grande público, a partir das imagens dolorosas e de morte dos seres pelo fogo, na mesma medida em que é urgente questionar, provocar reflexões, gerar esclarecimentos para uma mudança de paradigma.  

Continuar lendo “A grande questão comum aos biomas brasileiros”

Para além dos desastres: integrando a pauta ambiental à agenda nacional cotidiana

Fonte: Captura de tela e Amanda Perobelli/Reuters

Por Michel Misse Filho*

A destruição criminosa do pantanal pelas chamas, numa calamidade sem precedentes para a biodiversidade brasileira, tem recebido destaque da mídia nas últimas semanas. No embalo da catástrofe pantaneira, os focos de incêndio na Amazônia — também recorrentes no noticiário nacional — chamam, assim como em 2019, a atenção do mundo para o Brasil, num amálgama de dados: hectares, valores econômicos, número de focos de incêndios e retrospectivas de séries históricas. 

    Este é também um daqueles momentos em que, infelizmente pelas piores razões, a pauta ambiental extrapola seu próprio nicho e se desenrola por toda a agenda nacional em múltiplas nuances. Torna-se enredo dramático e heroico, no combate às chamas e resgate de animais; policial-investigativo, na busca pela origem do fogo; político, alavancado por um governo federal marcado pelo desmonte ambiental; econômico, pelo oportunismo verde de conglomerados empresariais e projeções para o agronegócio brasileiro; diplomático, na esteira do discurso do presidente da República na Assembleia Geral da ONU; e ético, também como desdobramento do negacionismo explícito que paira sobre o Planalto Central.

    Em termos jornalísticos, a cobertura é importante por ultrapassar as barreiras do que seria um “nicho ambiental”, embora percebamos, com isso, um dilema recorrente: o meio ambiente é pautado quando excede a si mesmo — efeito de um já naturalizado modus operandi jornalístico. E o problema é que, como já foi destacado em pesquisas da área e neste observatório, na ampla maioria dos casos, essa extrapolação se dá em situações de desastres ambientais, reforçando a ideia de que o meio ambiente só vira notícia quando sofre perigo. 

    O olhar para o futuro (capacidade de projetar cenários) pode ser uma das saídas possíveis a esse dilema, dispondo de visão sistêmica não motivada, necessariamente, pelo acontecimento factual de um desastre como os incêndios — mesmo que essa projeção se dê em função de evitar o agravamento futuro de situações já calamitosas. A projeção é um recurso interessante, desde que atenta para não se distanciar espacial e temporalmente do leitor. No caso da emergência climática, decorrente do aquecimento global, por exemplo, é comum a perspectiva de longo prazo, como nesta matéria da BBC publicada pelo G1, que mostra os mapas de previsões dos impactos até 2100. O texto peca, no entanto, ao negligenciar os impactos sociais, dando a impressão de problemas restritos à uma “natureza” (termo que, aliás, nomeia esta editoria do G1) e não à sociedade, como se este tipo de distinção fosse possível. 

    Mais interessante para a nossa análise é a notícia da France Presse (também publicada no G1), de que o 1% mais rico da população mundial emite o dobro de CO2 que a metade mais pobre, esta última justamente a que mais sofrerá com a emergência climática. Coloca-se o assunto, assim, na alçada da justiça social e aumenta seu interesse público. Para ficar apenas nos veículos da mídia tradicional, vale pontuar também o debate promovido e publicado pelo jornal O Globo, que aborda potenciais econômicos e desafios ambientais da Baía de Guanabara. Sem entrar no mérito das propostas, a iniciativa é interessante por, justamente, integrar um assunto ambiental à sociedade numa perspectiva cotidiana — por vezes invisível à lógica jornalística — de um olhar de médio prazo, sem a necessidade de um desastre ambiental que alavanque a pauta. 

Descortinar os impactos positivos, isto é, o potencial que a preservação ambiental pode legar à vida social, parece ser um caminho promissor para tratar daquilo que é eminentemente socioambiental, interseccionando as justiças ambiental, social e racial. 


* Jornalista e mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS). E-mail: michelmisse93@gmail.com