Cai o ministro, segue a boiada: o PL490 é sobre a vida de todos nós

Por Ângela Camana*

Imagem: Captura de tela do site El Pais Brasil

Os acontecimentos desta última semana de junho, narrados em textos que ocuparam as capas dos principais portais de notícias, são representativos de um argumento recorrente entre aqueles e aquelas que se dedicam a pensar o jornalismo ambiental: as “questões ambientais” não estão restritas a uma editoria específica, pois as transbordam. A cobertura sobre a tramitação do PL490 – que altera a legislação sobre terras indígenas, instituindo, entre outras mudanças, o marco temporal – foi manchete ao longo de toda a semana, mobilizando discussões que vão desde os arranjos político-partidários à denúncia do ataque que este projeto de lei promove aos direitos dos povos originários e, em última instância, à própria natureza, já que abre margem para o garimpo e a grilagem. Poucos textos, no entanto, abordaram o fato de que a preservação da floresta é cara não unicamente aos que nela habitam, mas a todo o planeta, já que a manutenção da biodiversidade é necessária à regulação do clima, por exemplo. E, infelizmente, a pauta também chegou às páginas policiais, devido à ação truculenta da polícia para sufocar a manifestação dos indígenas de diversas etnias em frente ao congresso – com repercussão inclusive em veículos internacionais, como o The Guardian.


Observar a cobertura que a imprensa brasileira dedicou ao PL490 já é uma tarefa a ser sugerida nas salas de aula dos cursos de jornalismo de todo país – pois, por mais que algumas notícias relutem em assumir, trata-se de pauta cujas fronteiras editoriais são borradas: direitos humanos, economia e política são indissociáveis da natureza. Averiguar as estratégias narrativas adotadas pelos veículos acerca de uma pauta que envolve mais de 500 anos de história, a usurpação de terras indígenas, torna-se um desafio ainda maior quando observamos que este debate irrompe justamente na semana em que o Ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles deixa o governo.
Ricardo Salles – como lembram jornais mundo a fora – está envolvido em acusações de tráfico de madeira e é possível que novas provas venham à tona nas próximas semanas. Não podemos esquecer que Salles é também o autor da célebre sugestão de que o Brasil deveria aproveitar a pandemia para “passar a boiada”. De fato, é a perspectiva que se coloca, sobretudo quando observamos a nomeação de um ruralista como novo ministro.
Infelizmente, parece que se vão os ministros, mas seguem seus bois – e estes passam por cima da Constituição, dos biomas e dos direitos indígenas. Como diz Eliane Brum em sua coluna semanal, no El Pais, a votação do PL490 é um ponto de não retorno: “A boiada passa inteira e nós todos, inclusive os autores do crime, ficaremos embaixo dos cascos porque a floresta vai virar outra coisa. E a coisa que vira não vai regular o clima”.
Fica o convite, então, para que o jornalismo brasileiro pare de se debater entre suas muitas cartolas pré-prontas e assuma, de uma vez por todas, que o ambiente seja não só uma pauta, mas um aliado. E é importante para todos nós que se imponha um freio à boiada e aos boiadeiros.

Cais Mauá: Com quantos adjetivos negativos se (des)faz um espaço?

*Eutalita Bezerra

Imagem: Captura de tela do site do Jornal do Comércio

Nos últimos quatro ou cinco anos, por conta da minha pesquisa de doutorado, investiguei a cobertura acerca das construções (ou destruições) nas áreas de Cais no Brasil. Em certo momento, buscando uma analogia entre o que ocorria no Cais José Estelita, em Pernambuco, no qual um conjunto de empreiteiras leiloou o terreno à beira do rio e propôs erguer ali um paredão de edifícios, e um possível futuro do Cais Mauá, em Porto Alegre, folheei as publicações tradicionais da cidade. A expectativa era de traçar paralelos entre as narrativas. O silêncio sobre o assunto era de tal forma significativo que inviabilizou a análise.

No último ano, porém ,tenho percebido um crescimento das discussões sobre o assunto nas páginas gaúchas, possivelmente mobilizado pelo já inaugurado Cais Embarcadero e por novas possibilidades para a região. Um exemplo pode ser visto no último dia 15 de junho, em que duas publicações foram feitas pelo Jornal do Comércio, ambas tratando de uma possível “revitalização” e exploração econômica da antiga área portuária de Porto Alegre.

A primeira delas, intitulada, “ ‘Projeto Cais Mauá é emblemático e único no País’, diz responsável no BNDES”, publicado sob a cartola “Patrimônio”, trata especialmente dos esforços do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, instituição responsável pelo estudo que vai sugerir ao Estado o formato para atrair interesse do setor privado naquela área.

Ao tratar sobre o espaço, convém destacar os termos utilizados, seja para descrevê-lo ou para apontar os caminhos já tomados: espaço degradado, desafio, concessão fracassada, conjunto deteriorado. O tombamento de alguns dos armazéns pelo patrimônio histórico também é citado como um entrave, inclusive apresentado como um dos responsáveis pela rescisão de um contrato anterior para obras na região.

Apesar de tantas agruras, o Banco parece enxergar ali potencialidades. Sua localização privilegiada, no centro da cidade, bem como seus mais de três quilômetros de extensão, o tornam de tal maneira “único” que merece a atenção do Departamento de Ativos Imobiliários da instituição financeira. Ao mesmo tempo, este, segundo a publicação, evitou comentar o potencial da área, bem como o volume de investimentos esperado.

Já a segunda publicação vem na coluna Pensar a Cidade, tutelada pelo Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul, com a cartola “Urbanismo”. Sob o título “Estudo sobre o Cais Mauá inicia com escuta ao público”, informa acerca dos primeiros de dez workshops propostos pelo Consórcio Revitaliza, grupo de oito empresas delegadas, junto com o BNDES, pelo estado para definir o melhor uso para a área.

O texto descreve os encontros como reuniões para apresentar “levantamentos iniciais sobre a área, bem como coletar sugestões sobre como poderia ser usada e qual a percepção das pessoas sobre o Cais e sua relação com a cidade”. O primeiro encontro teria ocorrido apenas com empresários e o segundo, apontado como “dia de maior debate”, recebeu a comunidade local, do entorno ou com algum interesse direto na área.

Professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, representantes de entidades da sociedade civil, como o Observatório das Metrópoles e da Associação Amigos do Cais do Porto, foram nominados no texto como vozes dissidentes. O texto admite, ainda, novas reuniões com entidades de arquitetura, universidades e imprensa sobre as “singularidades criativas que caracterizam o local”. O mesmo texto também admite que em pelo menos dois dos encontros serão realizadas devoluções, informando o que se pode ou não incorporar ao projeto a partir das contribuições recebidas.

Nesta publicação, embora o caminho pareça mais aberto que aquele vislumbrado noutras oportunidades ao se discutir o futuro de áreas de Cais, a naturalização do olhar para o espaço como apenas um ativo,necessariamente nos chama a atenção, mas não é o ponto mais importante neste momento. O que nos atinge com mais propriedade é o fato de que, mesmo quando em abertura a contribuições que fujam da lógica acumuladora e espoliadora, não há qualquer menção ao potencial impacto ambiental decorrente de sua utilização. Não é possível, aliás, dizer que esse assunto não foi tratado na reunião. Mas é plenamente factível afirmar que, caso tenha sido, o jornal não tomou como importante o suficiente para ser citado num texto que conta com três subtítulos.


Ao jornalismo, especialmente em momentos decisivos como este, em que o impacto de um empreendimento de grande envergadura não é analisado em sua potencialidade e nos seus riscos, cabe reforçar que o silêncio também é narrativa. E aqui retomo o olhar ao que ocorreu em Pernambuco: lido como um não-lugar pelos jornais, o terreno do Cais José Estelita, hoje e adiante, serve a uma ínfima parte da população. Seguirá com a expectativa do que poderia ter sido e não foi.


Para um destino diferente, os jornalistas precisam explanar as questões ambientais envolvidas nessa pauta hoje. É mister admitir que este não pode ser um assunto para segundo momento, quando as definições “sobre o que se pode ou não incorporar ao projeto”, como dito anteriormente, já estejam tão cristalizadas que seja impossível enxergar outros caminhos.

* Jornalista, Doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS. Membro do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental. E-mail: eutalita@gmail.com

Desmatamento no Brasil: informação já temos, o que precisamos é agir

Cláudia Herte de Moraes *

Fonte: https://www.oeco.org.br/reportagens/relatorio-mostra-que-998-dos-desmatamentos-no-brasil-em-2020-foram-ilegais/

A informação e a comunicação de dados ambientais são crescentes, sendo cada vez mais relevantes para dar subsídios à tomada de decisões, especialmente, aos formuladores de políticas públicas. Num mundo ideal (ou pelo menos inteligente), sociedade e seus cidadãos, bem como os poderes instituídos deveriam utilizar o conhecimento destes dados para proteger a vida em primeiro lugar, e respeitar os preceitos da proteção ambiental é um caminho bastante importante para o Brasil, devido aos seus biomas ricos em biodiversidade. No lançamento do MapBiomas Alerta, em 11 de junho de 2021, o destaque foi dado ao crescimento do desmatamento em todos os seis biomas brasileiros que fazem parte do monitoramento. O crescimento foi de “13,6% em 2020, atingindo 13.853 km2 (1.385.300 hectares), uma área nove vezes maior que a cidade de São Paulo. Desse total, 61% estão na Amazônia.”. A análise inédita de 74.218 alertas de desmatamento no Brasil está publicada e aberta ao público. (https://mapbiomas.org/pais-perdeu-24-arvores-por-segundo-em-2020).


O MapBiomas Alerta é uma iniciativa do consórcio MapBiomas constituído por mais de 20 instituições, entre ONGs, universidades e startups de tecnologia. Seu objetivo é processar os alertas de desmatamento emitidos por cinco sistemas: o Deter (do Inpe, para a Amazônia e o Cerrado), o SAD (do Imazon, para a Amazônia), o Glad (da Universidade de Maryland, para Mata Atlântica, Pantanal e Pampa), o Sirad-X (do Instituto Socioambiental, para a bacia do Xingu), e ainda incluindo os dados do novo SAD Caatinga (da Universidade Estadual de Feira de Santana e da Geodatin).


A iniciativa MapBiomas surgiu para buscar ferramentas para a compreensão sobre os fatos relacionados ao território brasileiro em relação à emissão de gases de efeito estufa no país, conforme pontuou Tasso Azevedo (Observatório do Clima), na live de lançamento do MapBiomas Alerta. Com isso, é possível organizar o conhecimento tanto em relação ao desmatamento, quanto a outras transformações importantes nos biomas, por exemplo, com a exploração e extração mineral, a utilização de água, a urbanização entre outras. A base do trabalho se dá com auxílio de softwares de aprendizagem de máquina, capaz de auxiliar na interpretação de imagens de satélites, cruzamento de dados, trazendo aos mais de 100 profissionais envolvidos, a possibilidade de interpretação de dados em nuvem, de forma ampliada e em tempo recorde.


A equipe do MapBiomas concluiu que o desmatamento está crescente em todos os biomas e é, em sua vasta maioria, composto de casos de atividades ilegais. Mais de 70% se dá em domínios privados e há possibilidade de responsabilização de ⅔ das áreas desmatadas. No entanto, também apontam que 99% das propriedades rurais não tiveram desmatamento em 2020 – e sofrem com a impunidade daqueles que infringem as leis. Para tratar deste tema neste Observatório de Jornalismo Ambiental, fizemos uma busca exploratória no Google, em busca da repercussão nos jornais, com os termos “Relatório inédito do MapBiomas Alerta”, na data de 13 de junho. A partir das publicações encontradas, pudemos conferir que houve boa repercussão das informações, tanto em portais, jornais alternativos e sites especializados ou institucionais, quanto em jornais e portais mais tradicionais da imprensa brasileira.

Listagem das principais notícias sobre MapBiomas Alerta

Com essa repercussão, que deve ser ampliada durante esta semana, podemos concluir que estamos num momento de intensa proliferação de informações e dados ambientais, sendo que o nosso maior problema é o que está sendo feito (ou não) com estas informações e alertas científicos. Estamos ingressando na década considerada determinante quanto aos destinos e rumos de nossa civilização, levando em conta que estamos muito próximos do ponto de não-retorno quanto à mudança do clima global. A informação ambiental está clara e os cidadãos e seus representantes na política, especialistas e empresários, todos nós precisamos entender esse alerta. A hora é, portanto, de ação. O jornalismo também precisa direcionar sua cobertura quanto aos alertas, e avançar ainda mais no questionamento sobre a falta de ação, especialmente por parte de agentes públicos e de fiscalização, para que haja a real responsabilização dos desmatadores no Brasil.

*Jornalista, doutora em Comunicação e Informação, professora na UFSM, Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS). E Mail: claudia.moraes@ufsm.br

Silenciados: quem fala pelo Brasil como “empecilho” ao acordo Mercosul-UE?

Imagem: captura de tela do site Ele Pais Brasil

Eutalita Bezerra*

Na última semana, questões envolvendo o tratado de comércio entre a União Europeia(UE) e o Mercosul foram intensamente divulgadas no Brasil, especialmente, porque a aplicação do acordo, assinado em junho de 2019, tem esbarrado na questão ambiental e no posicionamento do presidente brasileiro acerca das questões ambientais.

Na última quinta (11), uma reunião com representantes dos 27 países signatários buscava um caminho para ratificar o acordo. Dentre os contrários à implantação do tratado de comércio nas atuais condições estão nações, lideradas pela Áustria e a França, que acreditam que o pacto contraria os objetivos climáticos da União Europeia.


No jornalismo de El Pais Brasil, porém, a celeuma não passa de um caso de política externa de outros países, o que não nos inclui. Em seu site, o jornal abordou o assunto em publicação no último dia 12. Falou em “maior acordo comercial jamais alcançado”, se desdobrou para apresentar os motivos alegados por esse grupo de países para negar o acordo, dentre os quais de que poderia acelerar o processo de desmatamento na Amazônia. E, por fim, contrabalanceou estes mesmos posicionamentos, sugerindo que a bandeira ambientalista pode estar sendo erguida apenas para disfarçar o protecionismo.


Ocorre, porém, que a discussão sobre a pressão que o acordo poderia fazer sobre a Amazônia, bem como aquela em relação ao que significa o aumento da exportação de carne pelo Brasil – somente para apontar um dos pontos nevrálgicos desse acordo – ficou apenas no campo político. Embora tenha tentado aprofundar os lugares assumidos pela Áustria, Países Baixos, Irlanda e Bélgica, El Pais não abordou em qualquer outro momento o que, de fato, isso significa para o nosso país do ponto de vista ambiental, nem nesta e nem em outras publicações sobre o assunto, como podemos ver adiante.


Linkada ao texto que citamos, encontra-se, por exemplo uma matéria publicada na assinatura do pacto na qual o meio ambiente sequer é citado. Se fizermos uma busca mais aprofundada sobre o assunto no site, encontraremos um texto sobre denúncia do Greenpeace em relação à falta de cláusulas vinculantes de proteção ambiental, publicado no ano passado, e uma entrevista com o comissário de Comércio da UE, Valdis Dombrovskis, esta unicamente focada na questão político-econômica. Houve ainda, uma publicação que apresenta o posicionamento francês diante do assunto.


O El Pais, que é, muitas vezes, um sopro de coragem diante de várias pautas, dentre as quais a ambiental, em nenhuma das situações, porém, deu espaço para ouvir os principais afetados pelo tratado: povos indígenas, trabalhadores possivelmente precarizados pelo acordo e instituições brasileiras de proteção ao meio ambiente que não sejam pautadas pelo mesmo capital que dizem lutar contra. Aliás, é possível dizer que nenhuma das publicações contou sequer com fontes brasileiras, além de um tweet do presidente e um comunicado do governo, que em nada ajudam a compreender a complexidade desse tratado se aplicado nos termos atuais.


Embora seja o Brasil o centro da discussão, o jornalismo de El Pais Brasil nos mantém coadjuvantes. Tão calados quanto nos obriga o chefe do executivo federal, que vergonhosamente coloca o nosso país na posição de ameaça ao meio ambiente. Tão silenciados que seguimos aguardando que outros decidam por nós o nosso futuro.

*Jornalista, doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS. Membro do Grupo de Pesquisa Jornalismo e Ambiente. eutalita@gmail.com

Onde estão os vaga-lumes?Meio ambiente, nosso modus vivendi e realidades pouco abordadas pelo jornalismo

Fonte: Pixabay

*Por Ursula Schilling

Dia desses, assistindo, com minha filha de 2 anos e meio, a um canal infantil só sobre animais, apareceu, não me lembro em que contexto, o desenho de um vaga-lume. Minha pequena companheira fitou a tela admirada. Até aquele dia, não vira ou ouvira falar da criatura. Ao que ela me olhou, curiosa, tentei explicar: “é um vaga-lume, filha, um inseto que brilha no escuro… não se vê muitos por aí”.

Dei-me conta, então, de que eu mesma não os vejo desde a infância. Até os meus 10 anos de idade (isso faz bastante tempo), mais ou menos, ainda era comum assistir, nos fundos da minha casa, de onde se avistava um imenso terreno verde, ao espetáculo luminoso de centenas desses pequenos animais piscantes.

Mas onde estão, afinal, os vaga-lumes? Por que não ouço ninguém falar do seu sumiço? Segundo matéria publicada no site da revista Superinteressante, em fevereiro deste ano, esses insetos estão sob risco de extinção. Entre as causas apontadas: uso de agroquímicos, que podem exterminá-los do ambiente ainda em estágio larval; perda de habitat em função da ocupação humana e consequente destruição ambiental; poluição luminosa, visto que as luzes artificiais afetam o ritmo de diversos animais, inclusive o nosso.

Fonte: Captura de tela do site da revista Superinteressante

O desaparecimento de espécies, sejam elas grandes ou pequenas, não parece receber destaque das manchetes. E, se não está nos jornais, compreendidos aqui quaisquer canais de mídia, é como se não fizesse parte de nossa realidade, como se não nos afetasse ou fosse algo muito distante.

Há diversos autores e teorias que explicam porque isso ocorre. Ainda que não seja o único elemento a sere considerado na construção social da realidade, o jornalismo tem papel significativo nessa construção, seja ela objetiva ou subjetiva. O jornalista interpreta os acontecimentos na sua produção discursiva e, por meio das notícias, o indivíduo poderá interpretar o mundo que o cerca e será afetado em maior ou menor grau pelas notícias. É uma forma de conhecer e conhecer-se no mundo. Com isso, podemos ter a falsa impressão de que aquilo que não nos é contado (ou que não faz parte de nossa realidade imediata) não existe. E, se não existe, como refletir a respeito?

Em se tratando da pauta ambiental, sabemos que catástrofes como queimadas, eventos climáticos dramáticos e rompimento de barragens, por exemplo, ainda são grandes ganchos para a cobertura do tema. A importância de tais tópicos é inquestionável, mas e os reflexos do nosso dia a dia no meio ambiente? Aquilo que não é catastrófico no curto prazo ou não grita aos nossos olhos, mas que tem resultados igualmente desastrosos, merece e deve ser agendado jornalisticamente.

Precisamos exercer e demandar um jornalismo que questione nosso modus vivendi, que traga discussões incômodas mas necessárias. Do contrário, não são só os animais que desaparecerão. Não é um processo simples, são muitos vieses e caminhos possíveis.

Por ora, terei de mostrar as luzes de natal à minha filha e dizer: “assim brilham os vaga-lumes”, desejando que ela tenha a oportunidade de conhecê-los ao vivo, e não somente pela televisão.

*Jornalista, mãe, membro do Núcleo de Ecojornalistas do RS.

O racismo ambiental e o jornalismo míope

Imagem: Captura de tela do site Periferia em Movimento

Por Mathias Lengert*

Mariana, Minas Gerais, novembro de 2015. Um mar de lama contamina a bacia do Rio Doce, vitima 19 pessoas e arruína povoados e distritos próximos. Mais de 80% da população atingida é negra. A tragédia, que agora completa 5 anos (ainda sem todas as indenizações pagas), ilustra um recorrente processo de marginalização, empobrecimento e desigualdade étnica e racial em torno de direitos socioambientais.


Em resumo, trata-se do racismo ambiental. A definição ainda carece de visibilidade social, política e jornalística para evidenciar a maneira desproporcional que problemas ambientais impactam os grupos mais vulneráveis. As demandas por justiça ambiental são reivindicações das populações negras e indígenas, sobretudo no Brasil. O Dia da Consciência Negra, na última sexta-feira (20), reacende a reflexão sobre o racismo estrutural e suas implicações na mídia.


O assunto aparece timidamente nas coberturas, por ora, ainda restrito aos esforços do jornalismo alternativo em sondar os impactos da degradação ambiental na vida da população marginalizada, agravada nesse momento em razão da pandemia do Covid-19. Reportando a situação de vítimas afetadas pelo derramamento de óleo no litoral da Bahia, o site de notícias Brasil de Fato denuncia o descaso governamental com a formulação de políticas públicas para as comunidades negras. A fala da militante e pescadora quilombola Marizelia Lopes na reportagem exemplifica a vulnerabilidade: é uma “cegueira intencional”.


Além de estar presente no Estado, a invisibilidade do racismo ambiental é exercida nos jornais tradicionais, que não voltam suas coberturas ao tema e suas soluções possíveis. O jornalismo deve exercitar um olhar consciente que a defesa da vida exige responsabilidade com a mobilização coletiva por justiça ambiental. Ante a cegueira que se faz proposital, é preciso, tal como propõe o jornalismo ambiental, enxergar novos referenciais de igualdade na relação da humanidade com a natureza.


Noticiando a exposição de crianças à degradação ambiental urbana, o site de notícias paulistano Periferia em Movimento relatou a frustração de moradores de favela com a ausência de saneamento básico e indicou dados desses impactos na saúde infantil. O destaque coube aos pesquisadores e ONGs, sem uma ênfase categórica na opinião da população periférica.


A ausência de realce da imprensa em perspectivas que atentem às circunstâncias sensíveis às vivências e às discriminações raciais sofridas reflete um despreparo em apurar os fatos de maneira crítica, investigando as estruturas sociais que perpetuam práticas racistas. A projeção da injustiça ambiental nos debates sociais exige que o jornalismo priorize uma agenda voltada ao âmbito local, e pautada na resolução dos problemas no dia a dia das pessoas vulneráveis.


Para que essa mudança ocorra, além de relatar os casos de racismo ambiental, o jornalismo deve apostar em uma abordagem que compreenda também as dimensões econômica, cultural e política da questão, bem como, que ecoe as reivindicações da população negra marginalizada.

  • Mathias Lengert é jornalista, mestrando em Comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e integrante do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS). E-mail: mathias.lengert@gmail.com

Sofrimento animal ou destruição do solo: foodtechs trazem a comida do futuro?

Por Eutalita Bezerra

Fonte: Ilustração de Vitor Amirabile para GQ (2020)

Em tempos de “agro é tech”, a comida tem sido tratada como “negócio tecnológico, bilionário e para todos”, é o que diz texto publicado no último dia 1 de novembro – não por acaso, o dia mundial do Veganismo – na versão digital da GQ. Descrita como “a revista para o homem moderno, com reportagens e entrevistas sobre moda, cultura, mulheres, tecnologia, saúde, viagem, gastronomia, carros, motos e muito mais”, em seu discurso GQ converte o movimento vegano em celeiro de inovações e espaço para explosões em vendas de produtos que emulam carne animal, as chamadas proteínas alternativas.  Nesse cenário, buscamos entender: do ponto de vista ambiental, no que implica admitir a comida, insumo tão básico para a nossa sobrevivência, como mercadoria de foodtechs?

Embora mencione o movimento vegano desde o título da reportagem – “Veganismo ganha mercado com inovações e adeptos nada radicais” – GQ parece desconsiderar a verdadeira etimologia do termo, criado em 1944 pela Vegan Society, instituição mais antiga do mundo nesse nicho. Trata-se de uma“doutrina pela qual as pessoas devem viver sem explorar animais”, não sendo, portanto, uma dieta, mas um “conjunto de ações em todos os aspectos da vida que demonstra recusa ao sofrimento dos animais”, conforme publicação do Portal Vista-se, referência em veganismo no País. Aliás cabe dizer que o texto está publicado numa cartola de Gastronomia – repetimos, veganismo não é dieta! – mas pouco ou nada tem com esta, podendo, fatalmente, estar numa editoria de economia e/ou de tecnologia, sem prejuízo.

Em relação aos dizeres acerca da produção animal para consumo humano, é sabido, e GQ reforça, que existe um forte impacto da pecuária extensiva no meio ambiente e é neste ponto que a publicação se coloca ao lado dos veganos, afirmando que as empresas de produção tecnológica das tais proteínas alternativas estão “movidas pelos dados do impacto da pecuária no meio ambiente e pelo malefício que o excesso de carne animal provoca no bem-estar pessoal.” Embora baste uma leitura um pouco mais atenta e logo se saberá que esta preocupação é contestável.

O texto ao qual analisamos, que se assemelha a uma colagem de informações colhidas internet afora, se esmera em explicar de que maneira a diminuição no consumo de proteína animal degrada o solo, consome água, além de emitir gases prejudiciais ao meio. O que não está claro e nem problematizado é de onde vem a produção vegetal utilizada na constituição da aclamada “comida do futuro” e, embora cite uma das empresas como “a versão mais saudável possível de carnes vegetais: nada de soja, glúten, açúcar e ingredientes transgênicos”, não torna claro para o consumidor os problemas do consumo desses componentes, além de permitir a inferência de que as demais empresas admitidas como opções mais saudáveis para os humanos e o planeta não estão muito preocupadas com os impactos das monoculturas ou dos organismos geneticamente modificados.

Ademais, a publicação ainda apresenta uma categorização no mínimo curiosa dos possíveis consumidores das foodtechs: além dos onívoros, ovolactovegetarianos e os vegetarianos propriamente ditos (os quais eles descrevem como “a tribo que só come planta, os veganos”, num movimento de claro desconhecimento da questão já levantada), os “flexitarianos” ou “reducetarianos”, que se diz de quem opta por não comer proteína animal em algumas refeições ou dias da semana. Estes recebem da GQ o emblema de “conscientes, mas não radicais” e é admitido que suas escolhas trariam “um ganho imenso ao planeta”, segundo o ex-Beatle Paul McCartney, criador do movimento #segundasemcarne, descrito pela revista.

Não acreditamos que o ganho imenso seja realmente sentido pelo planeta, mas estamos certos de que, aos bolsos dos criadores destas empresas de fake food, isso é uma realidade. Ao que parece, além de se utilizar de um suposto discurso vegano, superficial e desconectado da realidade, apenas como chamariz para a venda, a responsabilidade dessas empresas perante o meio ambiente e a saúde humana não são realmente tão relevantes quanto quis desenhar a publicação. Para nós, a partir do texto analisado, o discurso da comida do futuro é mais do mesmo. Mas pincelado de verde.

* Doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS. Membro do GPJA. E-mail: eutalita@gmail.com

Imprensa foge ao debate sobre os malefícios da mineração no RS

Fonte: Captura de tela parcial do site Sul21

Por Cláudia Herte de Moraes *

O Rio Grande do Sul está sob ameaça. Estamos falando da possibilidade de instalação de mais de 150 projetos de mineração em várias regiões do estado. A mineração definitivamente não é sustentável. Além disso, a gestão irresponsável do setor, em vários momentos, coloca em risco ambientes e populações. Merecem registro os recentes acontecimentos que marcaram as grandes tragédias de Mariana (2015) e Brumadinho (2019), ainda sem recuperação ou compensação ambiental possível, diante das perdas humanas, de biodiversidade e de modos de vida dos atingidos.

Os desafios da luta ambiental são constantes e o mesmo sistema capitalista, responsável pela crise climática, não dá sinais de renúncia à ganância que lhe é peculiar. As ameaças da mineração estão na pauta da sociedadee os grupos organizados pela luta ambiental estão na ativa. Na última semana, acompanhando o movimento contra a mineração, o webjornal Sul21 foi o único a publicar a Carta do Rio Camaquã, manifestação de mais de 90 entidades ambientalistas, sindicatos, representações estudantis e acadêmicas. No documento são trazidas informações importantes para o esclarecimento público, contendo a denúncia de que, além da mineração, está em curso projeto para instalação de uma hidrelétrica no Rio Camaquã, por Acordo de Cooperação Técnica entre a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul (SEMA). O Sul21 fez reportagem chamando a atenção da população gaúcha frente às ameaças de perdas na área socioambiental. O webjornal é uma exceção entre veículos da imprensa gaúcha, pois dá espaço aos movimentos e trata a mineração como um problema, ou seja, pontuando os malefícios, para além do discurso produtivista. Em 2019, texto de Carine Massierer neste Observatório, já indicava essa situação preocupante, para a qual o restante dos veículos não buscam dar atenção.

Por outro lado, podemos observar que os movimentos sociais procuram manter suas vozes ativas no debate, especialmente quanto a conflitos ambientais, nos quais o destino das comunidades está em jogo. Neste sentido, analisamos as postagens na rede social Facebook do grupo de moradores, em ação pelo midiativismo ambiental, sobre o projeto de mineração no Rio Camaquã (RS). Refletindo sobre as postagens de resistência na sua interconexão com a luta pelo direito ao ambiente saudável, examinamos tanto a página Rio Camaquã – União Pela Preservação, como notícias governamentais e de um jornal de referência. A observação foi de um período de cinco anos e concluímos que há uma atenção muito limitada ao conflito, ou seja, o debate público sobre a mineração não ocorre de forma ampla no jornalismo gaúcho, além do que estes projetos são geralmente justificados pelos “ganhos econômicos do empreendimento”. O artigo publicado no início de 2020, foi feito em coautoria com Eliege Fante.

Também atuando em prol do debate público, está o Núcleo de Ecojornalistas do RS (NEJ-RS), entidade que reúne jornalistas engajados e especializados na pauta ambiental. O NEJ-RS realiza o evento Terça Ecológica abordando “O mapa da megamineração no RS: Riscos e estratégias de enfrentamento”, com Eduardo Raguse Quadros, engenheiro ambiental e integrante da coordenação do Comitê de Combate à Megamineração no Rio Grande do Sul (CCMRS) neste 27 de outubro. Os projetos em debate, caso aprovados, farão do RS o terceiro estado minerador do país, resultando em prováveis impactos negativos ao ambiente e às populações atingidas. O evento é apoiado pelo Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental (GPJA) CNPq/UFRGS.

*Jornalista, doutora em Comunicação e Informação, professora na UFSM, Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS). Email: claudia.moraes@ufsm.br

A destruição das florestas: sem conhecimento, valorização e respeito

*Patrícia Kolling

Fonte: Captura de tela do site El Pais Brasil

“Mas para os povos indígenas uma coisa é clara: quanto menos você sabe sobre algo, menos valor isso tem para você ― e, portanto, mais fácil será de destruir”. 

Esta frase da líder ambiental da comunidade waorani, Nemonte Nenquimo, é um dos apelos por ela escritos na Carta da Amazônia, uma mensagem direcionada aos nove presidentes de países amazônicos, publicada no jornal El Pais, em 12 de outubro, (Vale a pena a leitura na integra). Trata-se de uma carta escrita com conhecimento e sentimento, que clama respeito à floresta e aos povos indígenas. Nemonte Nenquimo destaca os milhares de anos que os povos indígenas levaram para conhecer a floresta Amazônica. “Entender suas formas, seus segredos, aprender a sobreviver e a prosperar com ela”, explica. 

O que Nemonte Nenquino diz se torna ainda mais potente diante das falas dos nossos governantes sobre esse assunto.  Na última terça-feira, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defendeu o aumento de cabeças de gado no Pantanal para que comam o mato que serve de combustível e agrava as queimadas. A exemplo da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, ele defendeu a tese do “boi bombeiro” e a expansão da pecuária na região para conter incêndios. Na matéria citada, no entanto, especialistas criticam essa visão, apontando que a criação de gado aumentou no Pantanal nos últimos anos, ao invés de diminuir, rebatendo a ideia de que os bois seriam fundamentais para impedir incêndios. Além disso, um dos focos de incêndio que devastou recentemente uma área de conservação no Pantanal teve início, segundo perícia, justamente numa fazenda de criação de gado nas redondezas.

A leitura destes dois textos nos instiga a refletir sobre a necessidade do jornalismo valorizar a pluralidade de enfoques e vozes. O primeiro deles é uma carta escrita por um povo que vive próximo à terra e, como diz Nemonte, “são os primeiros a escutar seu choro”. Os waorani têm na floresta a sua principal professora: “esta floresta nos ensinou a caminhar com rapidez, e, como a escutamos, como aprendemos com ela e a defendemos, ela nos deu tudo: água, ar limpo, alimentos, remédios, felicidade, espiritualidade”, destaca o documento.  O segundo texto, escrito por um jornalista, reproduz falas de políticos que precisam mostrar preocupação com o desmatamento e as queimadas, diante da ameaça internacional de boicote aos negócios com o Brasil. A pressão para que o governo brasileiro tome medidas para reduzir o desmatamento na Amazônia e o receio de que a imagem de vilão ambiental possa prejudicar a ratificação do acordo Mercosul-União Europeia fazem com que o governo negue o problema e reproduza informações sem bases científica ou estatística, ignorando também conhecimentos tradicionais. O esforço jornalístico está justamente em recusar tais declarações, trazendo à pauta também a perspectiva científica.

Entra aqui a reflexão sobre o papel dos jornalistas e educadores na confrontação de informações. Há necessidade da diversidade de fontes, das fontes cidadãs (ou seja, as não oficiais), das fontes especialistas, das fontes políticas – tal, como fez o jornalista ao confrontar com especialistas as falas do Ministro do Meio Ambiente. É preciso informações contextualizadas, é preciso pesquisa; como na matéria, em que pesquisadores explicam detalhadamente os danos do desmatamento e da degradação, assim como nas citadas pelo colega Matheus Cervo neste Observatório da semana passada. Pois, como diz Nemonte, para valorizar e respeitar é preciso conhecer, saber sobre o tema, vivenciar.

*Patrícia é jornalista, doutoranda da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e professora da Universidade Federal de Mato Grosso.

Comunicações criativas na transmissão de informações sobre as queimadas

Por Matheus Cervo*

 Infelizmente, pode-se dizer que não é novidade que vários veículos de comunicação têm noticiado as catástrofes ambientais que acontecem no Brasil e na América Latina. Nesta última semana, Antônio Nobre, sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), manifestou-se ao Uol para afirmar que estamos chegando a um ponto de não retorno em relação à recuperação dos nossos principais biomas. Estamos vivendo um cenário catastrófico que se expressa de forma drástica nas queimadas, no recorde de temperatura para setembro em 2020 e na própria pandemia do Covid-19.

    Para pessoas que possuem um estilo de vida urbano, as queimadas parecem um fenômeno distante, mas não são. Uma breve pesquisa nas notícias que focam a cidade de Porto Alegre, urbe onde reside o Observatório de Jornalismo Ambiental, mostra como os fenômenos locais estão intimamente ligados aos nacionais e globais devido às mudanças climáticas em curso. Tanto a Zero Hora quando o G1 noticiaram as grandes cenas de fumaça que puderam ser vistas pelos que vivem na nossa cidade. Diferentes meios noticiam a questão de saúde que se agrava à população urbana por causa das chuvas pretas que caem no sul do Brasil e pelas fumaças que pioram problemas respiratórios.

É possível perceber que algumas formas de noticiar as mudanças climáticas em curso tentam estabelecer as conexões entre os diferentes espaços do globo terrestre de forma criativa. El País fez uma matéria interessante chamada “O tamanho da área queimada na Amazônia e no Pantanal, comparada com sua cidade”, onde foram criados infográficos feitos a partir de imagens de satélite. Com dados provenientes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora o desmatamento no Brasil, foi possível perceber que se perdeu cerca de 20.000 hectares, ou 200 quilômetros quadrados, de vegetação devido às queimadas. Em cima das imagens de satélite de diferentes cidades, foi criado um círculo vermelho que representa a área em tamanho real para percebermos como seria o impacto caso o fenômeno tivesse ocorrido nos espaços urbanos.

Pode-se compreender que, hoje, há uma dificuldade de comunicar os fenômenos climáticos devido à complexidade do momento histórico em que vivemos. Mesmo as matérias que mostram as grandes fumaças ou as chuvas pretas afetando as grandes cidades não parecem o suficiente para criar uma sensibilidade na recepção dos citadinos que recebem as comunicações provenientes do jornalismo que enfoca as questões climáticas. 

Os recursos digitais relacionados ao design da informação permitem criar sínteses que comunicam os fenômenos de forma diferente do que permite o meio textual ou mesmo o fotográfico. Talvez essa seja mais uma forma de auxiliar na sensibilização do público urbano frente aos impactos ambientais que assolam nossa existência neste século.

* Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e mestrando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da mesma universidade. Acesso ao lattes: http://lattes.cnpq.br/8290548520385605.