Silenciados: quem fala pelo Brasil como “empecilho” ao acordo Mercosul-UE?

Imagem: captura de tela do site Ele Pais Brasil

Eutalita Bezerra*

Na última semana, questões envolvendo o tratado de comércio entre a União Europeia(UE) e o Mercosul foram intensamente divulgadas no Brasil, especialmente, porque a aplicação do acordo, assinado em junho de 2019, tem esbarrado na questão ambiental e no posicionamento do presidente brasileiro acerca das questões ambientais.

Na última quinta (11), uma reunião com representantes dos 27 países signatários buscava um caminho para ratificar o acordo. Dentre os contrários à implantação do tratado de comércio nas atuais condições estão nações, lideradas pela Áustria e a França, que acreditam que o pacto contraria os objetivos climáticos da União Europeia.


No jornalismo de El Pais Brasil, porém, a celeuma não passa de um caso de política externa de outros países, o que não nos inclui. Em seu site, o jornal abordou o assunto em publicação no último dia 12. Falou em “maior acordo comercial jamais alcançado”, se desdobrou para apresentar os motivos alegados por esse grupo de países para negar o acordo, dentre os quais de que poderia acelerar o processo de desmatamento na Amazônia. E, por fim, contrabalanceou estes mesmos posicionamentos, sugerindo que a bandeira ambientalista pode estar sendo erguida apenas para disfarçar o protecionismo.


Ocorre, porém, que a discussão sobre a pressão que o acordo poderia fazer sobre a Amazônia, bem como aquela em relação ao que significa o aumento da exportação de carne pelo Brasil – somente para apontar um dos pontos nevrálgicos desse acordo – ficou apenas no campo político. Embora tenha tentado aprofundar os lugares assumidos pela Áustria, Países Baixos, Irlanda e Bélgica, El Pais não abordou em qualquer outro momento o que, de fato, isso significa para o nosso país do ponto de vista ambiental, nem nesta e nem em outras publicações sobre o assunto, como podemos ver adiante.


Linkada ao texto que citamos, encontra-se, por exemplo uma matéria publicada na assinatura do pacto na qual o meio ambiente sequer é citado. Se fizermos uma busca mais aprofundada sobre o assunto no site, encontraremos um texto sobre denúncia do Greenpeace em relação à falta de cláusulas vinculantes de proteção ambiental, publicado no ano passado, e uma entrevista com o comissário de Comércio da UE, Valdis Dombrovskis, esta unicamente focada na questão político-econômica. Houve ainda, uma publicação que apresenta o posicionamento francês diante do assunto.


O El Pais, que é, muitas vezes, um sopro de coragem diante de várias pautas, dentre as quais a ambiental, em nenhuma das situações, porém, deu espaço para ouvir os principais afetados pelo tratado: povos indígenas, trabalhadores possivelmente precarizados pelo acordo e instituições brasileiras de proteção ao meio ambiente que não sejam pautadas pelo mesmo capital que dizem lutar contra. Aliás, é possível dizer que nenhuma das publicações contou sequer com fontes brasileiras, além de um tweet do presidente e um comunicado do governo, que em nada ajudam a compreender a complexidade desse tratado se aplicado nos termos atuais.


Embora seja o Brasil o centro da discussão, o jornalismo de El Pais Brasil nos mantém coadjuvantes. Tão calados quanto nos obriga o chefe do executivo federal, que vergonhosamente coloca o nosso país na posição de ameaça ao meio ambiente. Tão silenciados que seguimos aguardando que outros decidam por nós o nosso futuro.

*Jornalista, doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS. Membro do Grupo de Pesquisa Jornalismo e Ambiente. eutalita@gmail.com

A política da mudança do clima: do internacional ao local

Imagens: Pixabay

Por Michel Misse Filho*

Enquanto é discutida a viabilidade de se realizar os Jogos Olímpicos de Tóquio em meio à maior crise sanitária desde o último século, outro “comitê” esportivo nos chamou a atenção recentemente aos efeitos do aquecimento global. Trata-se da candidatura simbólica para a Olimpíada de verão de 2032, no lugarejo de Salla, que conta com 3.400 moradores no Ártico finlandês. A ideia, exposta nesta matéria da Folha de São Paulo, é denunciar a emergência climática e seus efeitos em uma cidade com modo de vida ligado ao frio e à neve, daí o motivo de ser “possível” a realização do evento com modalidades tipicamente de verão.

Se o exemplo desta iniciativa cumpre um importante papel elucidativo através da alegoria, causa apreensão, em todas as sociedades, o descompasso de atividades simbólicas, acordos e promessas políticas em relação às efetivas atuações, no mundo real, para a redução das emissões. Ao mesmo tempo, uma notícia do início de fevereiro informa que o Tribunal de Paris declarou a responsabilidade do governo da França pela inércia no combate às mudanças climáticas. Conforme explica a Revista Época, a ação foi movida por ONGs que reuniram mais de dois milhões de assinaturas. E Jorge Abraão enfatizou, em sua coluna na Folha de São Paulo, a relevância e o pioneirismo do resultado ao criar jurisprudência e referência, além de encorajar ações contra governos que não cumprem os compromissos assumidos. 

Já no Brasil, sabemos que o melhor caminho para alcançarmos nosso compromisso é pela redução e eliminação do desmatamento ilegal na Amazônia. Desafio necessário e viável, torna-se, no entanto, mais difícil de ser realizado à medida que o governo federal move mundos (e poucos fundos), desde 2019, para impedir a devida repressão a este crime ambiental. Como um agravante, a política local também é, em geral, grande aliada dos inimigos da floresta. A “desamazonização da Amazônia”, coluna de Fabiano Maisonnave na Folha, aborda a hegemonia do discurso antiambientalista na região, caracterizado pelo ínfimo contrapeso de políticos amazonenses de perfil socioambiental. Cabe questionarmos aí, além da forma de atuação da mídia local, também o papel que cumpre a abordagem da grande mídia nacional sobre aquela região, por vezes tratada como exótica e distante — a Amazônia vista com o olhar do Sudeste do Brasil.

A ação da mídia é fundamental para além das denúncias de crimes ambientais, mas mobilizando uma ampla e complexa visão socioambiental da região. Deve envolver, ainda, o estímulo às políticas de criação de maior valor agregado em atividades econômicas sustentáveis, que não deixem a população economicamente à mercê de um discurso ecologicamente suicida. A composição deste dilatado cenário de combate à emergência climática é complexa, mas certamente abrange mais que a atuação de organismos globais e das esferas federais. Tendo em vista o emaranhado de interesses em conflito na região amazônica, o cerne da questão parece mesmo requerer uma atuação direta em nível local.

* Jornalista e mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS). E-mail: michelmisse93@gmail.com.

Brasileiros percebem o problema das mudanças climáticas, mas o que falta para o país encarar a questão?

Imagem: Reprodução parcial de notícia d’O Globo publicada em 04/02/2021

Por Ângela Camana*

Na primeira semana de fevereiro, diversas pautas ambientais dominaram os noticiários – o acordo da Vale para reparação em Brumadinho e a possibilidade de extração de petróleo próximo ao arquipélago de Fernando de Noronha acenderam um alerta para condução das questões de preservação no país. Na contramão destes acontecimentos, a divulgação de uma pesquisa realizada no ano passado surpreendeu pelos resultados positivos: a percepção de que as mudanças climáticas estão em curso é quase uma unanimidade entre os brasileiros, e 77% dos entrevistados reconhecem que tais transformações são provocadas pela ação humana.  O estudo, encomendado pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS-Rio) em parceria com o Programa de Comunicação de Mudanças Climáticas da Universidade de Yale, foi conduzido pelo IBOPE em todo o Brasil entre os meses de setembro e outubro de 2020. A iniciativa lançou um site próprio, no qual a pesquisa completa pode ser acessada.

Os dados são robustos e levantam questões importantes, que deveriam ressoar na atuação da imprensa. O primeiro deles é o fato de que 77% dos brasileiros dizem que a preservação ambiental deveria ser prioridade, e não o crescimento econômico – o contrário, aliás, das práticas do atual governo. Além disso, quando perguntados sobre as queimadas na Amazônia, mais da metade dos entrevistados defende que cabe ao Estado buscar soluções. Esta cobrança de atitudes dos governantes e de políticas públicas preservacionistas poucas vezes é vista no jornalismo sobre meio ambiente, que ainda se dedica a pautas baseadas em ações individuais. Os dados sugerem que a imprensa assuma um papel mais ativo a fim de fiscalizar e pautar políticos e instituições, chamando-os para a ação.

Um segundo elemento que merece destaque – e que deve chamar a imprensa brasileira à responsabilidade – dá conta de que, apesar de reconhecerem a questão como importante, apenas 25% dos entrevistados dizem ter conhecimento o bastante sobre o aquecimento global e as mudanças climáticas. Este número está, ainda, associado à escolaridade e acesso à internet, o que demonstra a importância do papel que a grande imprensa pode realizar, expondo o tema aos estratos sociais brasileiros menos escolarizados — que são, em geral, os mais vulneráveis aos próprios efeitos das mudanças climáticas.

Ainda que se deva reconhecer a dificuldade da cobertura desta temática, este dado corrobora para o diagnóstico de que o jornalismo brasileiro ainda é muito fragmentado e preso ao factual. Os números deste estudo abrem margem para que se produza conteúdo, em seus diversos formatos, com maior profundidade. A própria repercussão do estudo na grande imprensa  foi pouco além de reproduzir os dados e compará-los com pesquisa semelhante realizada nos Estados Unidos, perdendo a oportunidade de produzir análises de qualidade. Isso para não falar da ausência de autocrítica.

Por fim, a investigação divulgada nesta semana reforça a importância de que jornalistas se engajem com a temática ambiental, buscando ampliar seu repertório face às principais questões da atualidade. É o que propõem iniciativas como o ClimaInfo  e mesmo o Minimanual para a cobertura jornalística das mudanças climáticas, lançado por este grupo.


*Ângela Camana é jornalista e socióloga. Doutora em Sociologia. Membro do GPJA e do TEMAS (Tecnologia, Meio Ambiente e Sociedade). E-mail: angela.camana@hotmail.com.

Dia Mundial do Meio Ambiente: por pautas menos catastrofistas

Imagem: Captura de tela – Notícia publicada no site da Revista Galileu
*Eloisa Beling Loose

Dentre as muitas efemérides que servem de gancho para a produção jornalística, no dia 5 de junho temos uma dedicada ao meio ambiente. O Dia Mundial do Meio Ambiente foi criado pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 1972, e busca chamar a atenção para a importância da sustentabilidade da vida de todas as espécies – inclusive a nossa – no planeta.

O assunto está mais presente na pauta em razão do volume de problemas ambientais que nos cercam (poluição de ar e água, desmatamento, contaminação por agrotóxicos, rompimento de barragens de rejeitos de mineração, flexibilização das políticas ambientais, extinção de espécies, etc.) e seu tratamento jornalístico costuma ser desolador. O destaque em aspectos negativos tende a gerar uma percepção de que não há mais saídas.

Na última semana, a data foi lembrada por muitos veículos jornalísticos e a “fórmula do choque”, tentando despertar as pessoas sobre o cenário pessimista no qual nos encontramos, foi repetida inúmeras vezes. A matéria publicada no site da Revista Galileu, Mudanças climáticas podem acabar com a civilização até 2050, diz estudo, por exemplo, celebra o dia 5 de junho lembrando que estamos a caminho da extinção da espécie humana. A partir de um relatório do Centro Nacional de Descoberta do Clima da Austrália, o texto indica que as mudanças climáticas podem colapsar a nossa civilização até 2050, tornando o mundo um caos, em razão das condições cada vez mais adversas decorrentes das consequências climáticas.

A notícia da Galileu aponta também o que deveria ser feito. Segundo o documento que é sua única fonte: é necessário alterar a matriz produtiva mundial para que ela seja de zero carbono e pensar mais no planejamento para lidar com cenários extremos. É claro que isso envolve um alto investimento de recursos e um empenho coletivo dos países em priorizar a vida (e não só daqueles que podem pagar por isso). Esse esforço, até hoje, apesar das muitas evidências, não tem sido realmente efetivo, porém a matéria da Galileu não oferece ao leitor uma discussão das tentativas e explicações do porquê isso ainda acontece.

O Acordo de Paris, compromisso negociado por 195 países, em 2015, e que entrará em vigor somente no próximo ano, pretende manter o aumento da temperatura média global em menos de 2°C acima dos níveis pré-industriais. Os esforços, porém, são para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais. A grande questão é que, como explicita o texto, os piores cenários tendem a ser subestimados. E qual a razão de se achar que não há urgência em uma mudança radical nos nossos modos de vida?

Ainda que os relatos jornalísticos sejam sempre recortes da realidade, percebe-se uma recorrência de notícias com fonte única e quase nenhuma contextualização. Além disso, a ênfase nos aspectos mais catastrofistas inibe o foco para a ação, para aquilo que devemos fazer hoje. Soluções de escala global são bem-vindas, mas o enfrentamento deve ocorrer em todas as esferas. Considerando todos os efeitos que já sentimos na pele e as previsões dos cientistas, adotar comportamentos e práticas diárias associadas às baixas emissões de gases de efeito estufa é um imperativo.

Quando a imprensa trata do futuro como algo que, em breve, deixará de existir, está sendo contraproducente, pois repercute a ideia de que não há muita coisa a ser feita. Ao entender o jornalismo como uma prática profissional comprometida com o interesse público, seu papel é justamente dar visibilidade às ações e projetos que estão trabalhando em prol de caminhos que garantam o cuidado com o meio ambiente, indispensável para nossa sobrevivência. Que o Dia Mundial do Meio Ambiente possa ser comemorado com enfrentamento e que, em breve, não seja preciso ter uma data para nos lembrar o óbvio: não podemos destruir o ambiente do qual dependemos para viver.

*Jornalista, mestre em Comunicação e Informação, e doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento. Vice-líder do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS).

Aquecimento? Que aquecimento?, texto de Luciano Martins no OI

Recomendada a leitura do comentário de Luciano Martins, feito para o Observatório de Imprensa. Em foco as mudanças climáticas e a relação “esquizofrênica” do jornalismo com o tema, como ele mesmo classifica.

Leia na íntegra:  Aquecimento? Que aquecimento?

O quente é a Antártida

Nada melhor do que o gelo para ajudar a contar o que se passa nestes tempos quentes. No domingo,  com todos os holofotes já apontados para Copenhague, o Fantástico, da TV Globo, exibiu uma extensa matéria contextualizando o que está em discussão no momento. Trabalho de Sônia Bridi e Paulo Zero. A Antártida foi o destino. Uma reportagem completa e objetiva (veja aqui), comentada na blogosfera durante a semana. E uma escolha acertada.  A Antártida  é um dos símbolos das mudanças em curso. Além, guarda, em sua brancura glacial,  valiosas informações acerca do histórico climático do planeta. O Brasil está envolvido em pesquisas desse histórico. O trabalho com os chamados “testemunhos” tem a participação de pesquisadores da Universidade Federal do  Rio Grande do Sul, chefiados pelo glaciologista Jefferson Simões. O tema merece toda atenção. Reportagens assim precisam virar regra.

A Antártida também foi tema de um dos trabalhos distinguidos com o Prêmio Esso de Jornalismo 2009. A revista “No coração da Antártida”, publicada pela Folha de São Paulo, em 22 março, recebeu  o prêmio na categoria Informação Científica, Tecnológica e Ecológica. Destaque para os textos de Marcelo Leite e as fotos de Toni Pires. Eles estiveram em Patriot Hills, a apenas mil quilômetros do polo Sul. Acompanharam, por 14 dias, os trabalhos da Expedição Deserto de Cristal, primeira missão brasileira no interior da Antártida. Mérito não só pelo relato, capaz de fazer o leitor partilhar do frio polar, mas, também, mergulhar na complexidade do clima, relações e no significado das investigações em andamento. Além de Marcelo e Toni, Claudio Angelo, Marilia Scalzo, Thea Severino, Adriana Mattos, Marcelo Pliger, Renata Steffen e Flavio Dieguez integraram a equipe da revista.

Prêmio recebido, talvez fosse hora do conteúdo estar com livre acesso online. Por hora aqui, para assinantes.

Clima: mesmo editorial em 56 jornais do mundo

Por ocasião do início oficial das atividades em Copenhague, na Conferência sobre Mudanças Climáticas, o The Guardian encabeçou uma iniciativa de publicação conjunta de um mesmo editorial em vários jornais do mundo. São 56 periódicos participantes, em 45 países e 20 línguas diferentes.  O editor-chefe do jornal britânico, Alan Rusbridger (leia o original aqui, em inglês) ressalta a participação de dois jornais chineses. A destacar pelo fato de a China dividir, com os Estados Unidos, a liderança no ranking das emissões de CO2 e, no mesmo passo, pela sempre lembrada barreira a determinados temas no país. Rusbridger também disse que o ineditismo da ação está em sintonia com a peculiaridade da cobertura sobre o tema: “nunca tivemos de cobrir uma história como essa antes”. Afirmou, ainda, esperar  que a voz combinada dos 56 jornais lembre aos negociadores que um entendimento é necessário e ele está em jogo em Copenhague. Como mentor da idéia, o Guardian estampou o texto na capa de hoje, junto com os logotipos dos jornais que aderiram.

As capas estão reunidas neste link. A idéia é que o texto estivesse ou iniciasse na primeira página, seguindo nos espaços tradicionais de opinião de cada jornal.  O editorial em português pode ser lido no jornal Zero Hora e no Público. O jornal português teve, na minha opinião, uma das melhores capas. Optou por estampar apenas texto, tal uma carta.

Mudanças climáticas na pauta da ANDI

Reprodução do site

A Agência de Notícias dos Direitos da Infância acaba de lançar um portal sobre Mudanças Climáticas. O objetivo é, conforme a entidade, reunir informações para um “jornalismo contextalizado”. O site está disponível em língua portuguesa e espanhola.

A ANDI acompanha o tema desde 2007.  Já foram publicados três relatórios de análise de jornais sobre a cobertura acerca das mudanças climáticas no Brasil. Por meio da metodologia de análise de conteúdo, os relatórios oferecem um “perfil quantitativo e as principais tendências qualitativas da cobertura da imprensa”, segundo o site da entidade, o que permite acompanhar “os desafios e avanços desse tipo de pauta”. Os estudos estão disponíveis para download.