Crise da Covid-19 e ataques à imprensa e aos ativistas seguem como desafios para 2021

Imagem: Reprodução de notícia do UOL, de 16/01/2021

Por Cláudia Herte de Moraes*

No retorno do recesso e das “festas” de final de ano, logo nos deparamos com a realidade que infelizmente assola o mundo: a pandemia ainda persiste e o desfecho em nosso país continua totalmente envolto em incertezas. Os votos de um ano bom – aqueles feitos na virada do ano – não esconderam a grande dor que assola milhares de famílias brasileiras, que choram as mais de 200 mil mortes decorrentes da Covid-19. Ano passado parece que ainda não terminou, infelizmente. Muitos entoamos com esperança o verso que foi revivido em canção por Belchior e, mais recentemente, por Emicida: Ano passado eu morri mas esse ano eu não morro. Ninguém aguenta mais, pois as tristezas são diárias e há tanto a fazer.

Nesta semana, a gravidade da situação da crise da saúde pública no Brasil se mostrou mais uma vez ao mundo, quando o oxigênio simplesmente faltou no Amazonas, matando vários pacientes que dele dependiam e colocando em risco de morte outros tantos, incluindo bebês prematuros e todos e todas que estão sob cuidados médicos no estado. Vale a pena destacar a reportagem de Wanderley Preite Sobrinho no UOL que traz uma análise de múltiplos fatores contribuintes para o descalabro que se instalou em Manaus – e que sirvam os alertas aos governos e aos cidadãos para uma atuação efetiva contra a pandemia em todo território.

Não é de hoje que os inimigos declarados daqueles que ocupam o poder estão tanto na imprensa, quanto entre ONGs e ativistas de modo geral, isso porque as denúncias e alertas decorrem especialmente destes setores. Em 2020, o direito à liberdade de expressão e de imprensa foi violado inúmeras vezes. No ano anterior (2019), um relatório da Repórteres Sem Fronteiras (RSF) já apontava que a chegada de Jair Bolsonaro à Presidência havia contribuído “grandemente” para derrubar a posição do Brasil no ranking da Classificação Mundial da Liberdade de Imprensa, por dois anos seguidos.

No Brasil de 2021 seguem os ataques à imprensa, especialmente àquela considerada progressista, àquela que investiga o poder de forma mais independente. O site do Repórter Brasil, por exemplo, foi atacado com exigências de que apagassem arquivos de reportagens que denunciavam o mal dos venenos/agrotóxicos. Em 7 de janeiro, houve uma tentativa de invasão física ao local. O prognóstico é que estes ataques continuem, como pontuou Natália Viana da Agência Pública.

Em julho de 2020, a notícia foi o levantamento sobre a morte de ativistas ambientais e de direitos humanos, que são crescentes no mundo, sendo os indígenas os mais vulneráveis aos ataques. O Brasil figura em vexatório 3º lugar, segundo a ONG Global Witness. O ativismo ambiental é considerado essencial para o enfrentamento da mudança climática. A ocorrência de constantes assassinatos de ativistas diz muito sobre como a sociedade não defende aquelas e aqueles que lutam efetivamente por um futuro sustentável, viável e equilibrado.

Em 2021 precisamos pensar na construção de um “novo normal” que esteja baseado nos direitos fundamentais de todas e todos, com liberdade de expressão e de imprensa e com atuação firme de jornalistas e da sociedade contra os desgovernos na saúde e no ambiente. Precisamos lutar pela vida acima da morte e pelo ambiente sustentável acima do lucro.

*Jornalista, doutora em Comunicação e Informação, professora na UFSM, Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS). E Mail: claudia.moraes@ufsm.br.

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