Jornalismo Ambiental e a Justiça em favor dos direitos do cidadão

Imagem – Captura de tela de reportagem publicada no site do G1
Por Carine Massierer*

O Jornalismo Ambiental tem muitos desafios todos os dias, para aliar os ideais de um jornalismo sistêmico comprometido e centrado na visão holística dos fatos com a cultura vigente de construção das notícias. Mas em tempos sombrios, uma liminar do judiciário pode contribuir para que temas extremamente relevantes, como a proposta de um novo Código Ambiental do Rio Grande do Sul, ressurja na imprensa e, ao mesmo tempo, permita que a população e os deputados ganhem tempo para tomar conhecimento e façam um debate sobre o tema.

A liminar que suspendeu o regime de urgência da tramitação da proposta do Novo Código chamou a atenção da imprensa e da sociedade desde que foi protocolada pelo governador atual, em 27 de setembro. Já na época da solicitação do governo, o fato foi noticiado, e muitos deputados já se posicionaram, afirmando que o prazo para a análise da proposta era muito curto, o que impossibilitava a apreciação do conteúdo e a reflexão sobre o tema. A pressa do governo, segundo a matéria publicada no G1 , deve-se, entre outras coisas, ao objetivo de “desburocratizar o processo para quem quer empreender sem descuidar do meio ambiente”.

A modificação em uma legislação é um processo que requer tempo de análise, em função da complexidade e da importância para todos os cidadãos. Justamente por isso, deveria ter sido colocada em discussão pública, caso os legisladores quisessem saber a opinião da população.

As leis e as questões que afetam os cidadãos também devem ser informadas e as empresas jornalísticas do Rio Grande do Sul e do Brasil – no caso o G1, como exemplifica a matéria aqui referida – tem conseguido abrir espaços para temas ambientais, com o auxílio do judiciário, apesar dos muitos desafios (MASSIERER, 2007) que o Jornalismo Ambiental ainda tem pela frente em razão da lógica capitalista de produção, das rotinas intensas e da diminuição das jornalistas nas redações.

No entanto, mesmo com a cobertura dada desde o protocolo da proposta em 27 de setembro – o que sinaliza o comprometimento com o tema e com a qualificação da informação – existem outros pressupostos do Jornalismo Ambiental que desafiam os jornalistas diariamente (LOOSE e GIRARDI, 2017) e que passam pela ênfase na contextualização, pluralidade de vozes, assimilação do saber ambiental, cobertura próxima à realidade do leitor, responsabilidade com a mudança de pensamento e incorporação do princípio da precaução.

MASSIERER, Carine. O olhar jornalístico sobre o meio ambiente um estudo das rotinas de produção nos jornais Zero Hora e Correio do Povo. Dissertação (Mestrado em Comunicação e Informação) -Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 2007.

LOOSE, Eloisa Beling; GIRARDI, Ilza Maria Tourinho. O Jornalismo Ambiental sob a ótica dos riscos climáticos.Interin,,Curitiba. V.22, n.2, p.154-172, jul./dez. 2017.

*Carine Massierer é jornalista, mestre em Comunicação e Informação pela UFRGS e integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS)

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