Mudanças climáticas: as crianças são o futuro e elas merecem ter um


Por Carine Massierer*

Reportagem recente (Mudanças climáticas podem comprometer o futuro de milhões de crianças (educacaoeterritorio.org.br )) do Programa Educação e Território, da Associação Cidade Escola Aprendiz de São Paulo, traz uma reflexão importante: as crianças em todo o mundo estão expostas aos impactos da crise e das mudanças climáticas. Isto se faz ver em inundações, temperaturas extremas, aumento de doenças respiratórias e na falta de aceso a alimentos livres de contaminantes, situações que não foram vivenciadas pelas gerações anteriores.

Imagem: Captura de tela do site Educação e Território

A matéria, assim como outras que suscitam este debate, foi impulsionada pela publicação do relatório (The Climate Crisis is a Child Rights Crisis | UNICEF) da Unicef sobre o índice de Risco Climático das Crianças (IRCC), em agosto de 2021. Com estes dados no horizonte, durante a COP26 em novembro, pais e mães de 44 países (incluindo o Brasil) assinaram uma carta pedindo urgência ao fim do financiamento de todas as novas explorações de combustíveis fósseis. Para além dos alertas provenientes dos relatórios e da pressão pública por mudanças, o aumento de temperaturas extremas neste verão no Brasil e a rigidez do inverno no hemisfério norte ampliam as preocupações para com o futuro das crianças, especialmente para quem acabou de dar à luz um filho.

Diante disto, grandes veículos como a Folha de São Paulo estão trazendo reportagens que retratam esta preocupação com o futuro da infância frente as mudanças climáticas, como pode ser acompanhado no link: Famílias mudam hábitos e vão até a Justiça para salvar filhos da crise do clima – 01/01/2022 – Ambiente – Folha (uol.com.br). A publicação mostra mudança de hábitos por parte das famílias e da busca junto a Justiça da garantia de salvação dos filhos da crise climática. A BBC Brasileira também traz em janeiro manifesto de crianças por seus “direitos” de igualdade de uso do ambiente nas mesmas condições que seus pais. Disponível em: As crianças que estão processando 33 países na Europa – BBC News Brasil

O que se pode perceber é que a imprensa tem ampliado não só os espaços de reportagens sobre as mudanças climáticas, mas tem contribuído para a publicização da reivindicação dos pais por condições de vida mais sustentáveis no planeta – na expectativa de que a infância tenha uma garantia de futuro. E, ao contrário do que prevalecia até pouco tempo atrás, quando somente os cientistas ou adultos tinham um lugar de fala nas manifestações e nos textos jornalísticos, a infância passa a ter um espaço também. Tímido ainda, mas que vem contribuindo para a discussão que já está posta de que as mudanças climáticas existem e afetam a todos.

Em uma publicação de 2013, intitulada Jornalismo e direitos humanos de crianças e adolescentes, a jornalista Jaqueline Almeida, já alertava que dentre os desafios para a garantia de direitos humanos estão a pobreza, desigualdades sociais, políticas de saúde, educação e proteção social ineficientes ou inexistentes, meio ambiente – escassez ou excesso de água, grandes desastres, mudanças climáticas, etc. Sendo assim, as mudanças do clima exigem que a infância seja considerada pela sociedade, pelos seres humanos em suas ações – e tambémpelo Jornalismo. 

Não é de hoje que pesquisadores da comunicação, da área da saúde, ciências naturais e da educaçãotrazem a preocupação da emergência climática e da necessidade de educação das crianças e jovens para o entendimento de que as ações humanas impactam o meio ambiente e estes efeitos afetam a humanidade. Cilene Victor (Vista de A opacidade do sofrimento humano decorrente de desastres sob a perspectiva do jornalismo humanitário (udea.edu.co), pesquisadora da área da comunicação, acredita que o Jornalismo Humanitário possa contribuir para que as crianças não tenham seus direitos violados. No entanto, ela ressalta que este jornalismo começa a erguer os seus primeiros alicerces num contexto onde milhões de vítimas da fome, dos conflitos armados, das guerras civis, da violência generalizada, dos desastres e das mudanças climáticas sofrem um silenciamento que é resultado da omissão e da indiferença dos meios de comunicação.

Com a preocupação de comunicar de forma eficiente a população que mais irá sofrer com essas mudanças o Núcleo de Apoio à Pesquisa em Mudanças Climáticas (NapMC/Incline) e pelo Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP lançaram o livro Novos Temas em Emergência Climática, disponível gratuitamente no formato de e-book. Vale a pena consultar, curtir e compartilhar para o futuro dos nossos filhos.

*Carine Massierer é jornalista, mestre em Comunicação e Informação pela UFRGS e integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS).

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