Depois das eleições, a COP-27

Imagem: Reprodução de notícia do Mongabay

Por Eloisa Beling Loose*

A principal pauta brasileira segue sendo a eleição presidencial, que será definida no segundo turno, no próximo dia 30. Contudo, a crise ambiental não dá trégua e em breve teremos mais uma oportunidade de avançar no enfrentamento climático: de 7 a 18 de novembro ocorre a 27ª Conferência das Partes (COP-27) em Sharm el-Sheikh, no Egito. A um mês do encontro, o País ainda apresenta incertezas sobre os rumos da política ambiental, que demonstra ter perspectivas opostas a depender do candidato que vencerá nas urnas.

A questão ambiental é um assunto que divide os candidatos: enquanto um entende que a destruição da natureza é um mal necessário para o progresso (algo que já foi comprovado por estudos que não corresponde à realidade: áreas desmatadas não significam melhora nos indicadores econômicos, como divulgou recentemente o Mongabay) o outro pretende restabelecer uma liderança no debate internacional e combater o desmatamento ilegal. Como assinala o Amazônia Real, a Amazônia é alvo de dois projetos de futuro bastante diferentes para o Brasil – o que afeta diretamente a maneira como lidaremos com a emergência climática em curso.

Enquanto a decisão não chega, o que vários analistas e jornalistas já destacaram é que o caminho será árduo de qualquer forma. Com a eleição de parlamentares mais conservadores e alinhados com o crescimento econômico de curto prazo (às custas de muita devastação e injustiças ambientais), pode-se esperar mais flexibilização da legislação ambiental e outros projetos antiambientais. A revista piauí trouxe uma reportagem sobre as possibilidades que se desenham com um novo perfil de Senado, afirmando que foi eleito “Um congresso mais hostil ao meio ambiente”.

Além do descaso com a proteção ambiental, verifica-se que não há gestão para minimizar riscos e danos, mesmo diante das evidências científicas que a intensificação das mudanças climáticas causará eventos extremos cada vez mais frequentes, na qual as populações mais vulnerabilizadas são as que mais sofrem. O Globo divulgou que 99% do orçamento destinado a prevenção de desastres foi cortado para 2023.

Os efeitos climáticos não aguardam enquanto decidimos quem vai governar nosso País. O secretário-geral da ONU, António Guterres, já declarou que a Guerra da Ucrânia impactou a discussão de ações mais ambiciosas, inclusive notando retrocessos no setor privado, porém a crise do clima não cessa. Alguém ainda duvida que o cenário é sério?

O jornalismo, em diferentes formatos e linhas editoriais, tem buscado evidenciar o desafio ambiental que se apresenta, baseado em dados e fatos, respaldados pela ciência. Esse é o grande assunto não apenas da COP-27, mas de todo nosso tempo. É a pauta que nos acompanhará por muitos e muitos anos. Cabe a todos nós colaborar para que seu enfoque deixe de ser catastrofista e passe a relatar a transição para uma humanidade mais consciente de suas decisões.

*Jornalista, professora e pesquisadora. Doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento, e em Comunicação. Vice-líder do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental. E-mail: eloisa.beling@gmail.com.

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