COP26 é mote para cobertura climática, mas busca ativa por pautas deve ser constante

Débora Gallas Steigleder*

A crise climática é uma pauta urgente e vem ganhando cada vez mais espaço no noticiário. Mas será que a cobertura jornalística de fato evidencia a complexidade dos cenários identificados pela ciência e de seu impacto em nosso cotidiano?

À época da divulgação do sexto relatório do Painel Intergovernamental de Mudança do Clima da ONU (IPCC), em agosto deste ano, o texto de Cláudia Herte de Moraes publicado neste Observatório citou a justiça climática como viés incontornável para termos coberturas qualificadas e aprofundadas sobre as consequências do aquecimento do planeta. Por esse entendimento, dar voz às populações afetadas pela desigualdade socioambiental é parte importante para a definição de prioridades no enfrentamento às mudanças climáticas.

Às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021 (COP26), que ocorrerá a partir de 31 de outubro, em Glasgow, na Escócia, a cobertura midiática, de forma geral, repercute as reivindicações do setor privado e os posicionamentos de líderes globais sobre as questões climáticas. Ao buscar por “COP26” no Google Notícias, em 14 de outubro, encontramos resultados como a notícia de Canal Rural que relata a exigência de conselho de empresários brasileiros para que o governo federal regule o mercado de carbono no país. Outra notícia com forma e conteúdo de press release, publicada no site EmTempo, do Amazonas, detalha o encontro do Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, com o embaixador da Noruega no Brasil, em que o mercado de carbono e a bioeconomia também foram pauta.

No entanto, ainda carecem abordagens sobre os problemas e soluções estruturais diante da emergência climática que utilizem a COP26 como mote. Algumas lacunas são supridas através da comunicação produzida pelos próprios grupos vítimas da injustiça climática através das redes sociais. Em sua conta no Instagram, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), por exemplo, noticiou a realização da Oficina de Mudanças Climáticas com lideranças indígenas brasileiras que acompanharão a COP26. Mas é necessário que este seja um compromisso constante do jornalismo.

Como resultados da COP26, esperamos não somente metas mais ambiciosas, mas também planos de ação dos governos que participarão da Conferência para não ultrapassarmos o já inevitável aquecimento do planeta em 1,5ºC. Do jornalismo, esperamos narrativas mais aprofundadas, que sensibilizem e mobilizem a população em torno do tema.

*Jornalista, pós-graduada em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS). E-mail: deborasteigleder@gmail.com

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