Comunicação Coordenada “Jornalismo e problemáticas socioambientais” na SBPJor 2011

A Comunicação Coordenada “Jornalismo e problemáticas socioambientais” integrará a programação do 9º Encontro da SBPJor, de 3 a 5 de novembro, no Rio de Janeiro. O grupo é formado por pesquisadores que integraram a Coordenada do ano passado e novos autores. Teremos seis trabalhos sendo debatidos na tarde de 4 de novembro. A ementa da Coordenada e a listagem de trabalhos vai a seguir. Os textos serão disponibilizados aqui após o evento.

Ementa: Junho de 2012 marca os 20 anos de realização da Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio 92, período em que os dilemas ambientais ganharam maior visibilidade. Diferentes atores têm empreendido uma disputa pública por nomear a questão da forma mais adequada. A luta ecológica, surgida no clima de contracultura dos anos 1960 e 1970, capilariza-se em novas formas de ação social, quer na busca por legitimidade de movimentos “verdes”, grupos e populações tradicionais, quer na entrada do setor empresarial na temática. Diante dos interesses difusos estão os governos, e um esperado papel de negociação. Mesmo emergindo em diferentes campos, é no exercício da comunicação que as problemáticas socioambientais são atualizadas, por meio da produção de jornalistas, em espaços tradicionais, ou de múltiplos sujeitos, por meio de novas tecnologias da informação. E além de promover mediação, o jornalismo toma a complexa relação sociedade-natureza como objeto, para além da formulação de conteúdos informativos. O conjunto de trabalhos desta coordenada instala sua discussão nas controvérsias geradas pelo tema, pensando suas implicações nas práticas jornalísticas, nas narrativas e na reflexão acadêmica na área.

Palavras-chave: Jornalismo, meio ambiente, práticas jornalísticas, discurso, problemáticas socioambientais.

Trabalhos:

Análise dos estudos sobre jornalismo ambiental: primeiras incursões – Sonia Aguiar

Mudanças no olhar da imprensa pernambucana sobre Suape: do desenvolvimentista ao socioambiental – Isaltina Maria de Azevedo Melo Gomes; Débora Souza Britto; Eutalita Bezerra da Silva; Júlia Arraes de Alencar; Raíssa Ebrahim dos Santos

Discursos e vozes por trás das COP-15 e COP-16 – Ilza Maria Tourinho Girardi; Ângela Camana; Carine Massierer; Cláudia Moraes; Eloisa Beling Loose; Gisele Neuls; Laura Gertz

De outros Olhares? Representações do ambientalismo em imagens de sites indígenas da Amazônia – Isac de Souza Guimarães Júnior

O valor do verde no saber dizer de revistas da Abril – Reges Schwaab

Redefinições do jornalismo ambiental: abordagens teóricas e rotinas produtivas – Antônio Teixeira de Barros

Análise dos estudos sobre jornalismo ambiental: primeiras incursões

 Sonia Aguiar

Doutora em Comunicação/ Ciência da Informação, professora do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e coordenadora do Laboratório Interdisciplinar de Comunicação Ambiental (LICA http://licaufs.blogspot.com/).

Resumo: Este artigo propõe a construção de uma “meta-análise” das teses e dissertações focadas na relação entre jornalismo e meio-ambiente defendidas no Brasil, inicialmente a partir dos resumos disponíveis na base de dados especializada da Capes. O objetivo é identificar as recorrências temáticas, midiáticas e metodológicas desses estudos, bem como eventuais conflitos conceituais e lacunas a serem preenchidas por novas pesquisas. A ênfase da análise recai sobre os recortes geográficos privilegiados, com base na hipótese de que o referencial de proximidade (e suas escalas) é determinante tanto para o trato do jornalismo quanto de questões ambientais. O estudo apresenta resultados preliminares de pesquisa mais ampla, denominada Geografias da comunicação ambiental no Brasil.

Palavras-chave: jornalismo ambiental; análise de cobertura; meio ambiente; jornalismo de proximidade; geografias da comunicação.

Mudanças no olhar da imprensa pernambucana sobre Suape: do desenvolvimentista ao socioambiental

Isaltina Maria de Azevedo Melo Gomes

Professora do curso de Jornalismo e do Programa de Pós-Graduação em

Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco.

Débora Souza Britto

Aluna do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco. Bolsista Pibic/CNPq.

Eutalita Bezerra da Silva

Aluna do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco. Bolsista PIBIC/CNPq.

Júlia Arraes de Alencar

Aluna do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco. Bolsista Pibic/CNPq.

Raíssa Ebrahim dos Santos

Aluna do curso de Jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco. Bolsista Pibic/CNPq.

Resumo: A implantação do Complexo Industrial Portuário de Suape, no Estado de Pernambuco, não considerou a complexidade do contexto cultural e das atividades produtivas locais e tradicionais tais como turismo, pesca, artesanato e agricultura. Este artigo procura observar a representação dos sujeitos sociais nas matérias sobre o Complexo de Suape veiculadas pela imprensa pernambucana. São sujeitos que estão sendo forçados a mudar seus hábitos e se expor a situações de risco. Em nossa análise, observamos alguma mudança na perspectiva de abordagem de temas relativos a Suape: de uma visão desenvolvimentista para um olhar mais questionador sobre os aspectos socioambientais do Complexo.

Palavras-chave: Jornalismo; Meio Ambiente; Práticas Jornalísticas; Discurso; Complexo de Suape.

 

Discursos e vozes por trás das COP-15 e COP-16

Ilza Maria Tourinho Girardi

Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo.

Ângela Camana

Estudante de jornalismo, FABICO/UFRGS. Bolsista de Iniciação Científica, PROBIC/FAPERGS.

Carine Massierer

Jornalista, especialista em Marketing pelo PPGA/UFRGS e mestre em Comunicação e Informação pelo PPGCOM/UFRGS. Assessora de Comunicação da Emater/RS-Ascar.

Cláudia Moraes

Jornalista, mestre em Ciências da Comunicação, doutoranda no PPGCOM/UFRGS. Membro do Grupo de Pesquisa Jornalismo e Meio Ambiente/UFRGS. Professora da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), campus de Frederico Westphalen.

Eloisa Beling Loose

Jornalista, mestre em Comunicação e Informação pelo PPGCOM/UFRGS. Membro do Grupo de Pesquisa Jornalismo e Meio Ambiente/UFRGS.

Gisele Neuls

Jornalista, mestre em Comunicação e Informação pelo PPCGOM/UFRGS, diretora da empresa Matiz Caboclo Comunicação Ambiental.

Laura Gertz

Estudante de jornalismo, FABICO/UFRGS.  Bolsista de Iniciação Científica, PIBIC CNPq-UFRGS.

Resumo: Analisa a cobertura das COP-15 e COP-16 em revistas brasileiras e portuguesas para averiguar de que forma o discurso sobre sustentabilidade foi construído pela mídia e quais foram as vozes acionadas nos veículos estudados. O percurso de análise teórico e metodológico centrado na análise do discurso e das fontes levou a concluir que há a predominância do discurso ecotecnocrático e que são privilegiadas vozes dos campos político e econômico.

 

Palavras-chave: jornalismo, discurso, fontes, meio ambiente, sustentabilidade.

De outros Olhares? Representações do ambientalismo em imagens de sites indígenas da Amazônia

Isac de Souza Guimarães Júnior

Mestre em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal Fluminense e doutorando pelo mesmo programa, com interesses de pesquisa nos temas de comunicação, política e estética; discurso ambientalista, identidade e consumo; Amazônia e representações midiáticas.

Resumo: Munidos de modernos recursos de comunicação e registro de informações, diversos grupos indígenas brasileiros dão sinais de quererem assumir a produção de representações sobre si mesmos numa esfera pública intensamente midiatizada. Partindo da análise de imagens e textos publicados em dois blogs editados por comunidades indígenas da Amazônia que abordam a relação com a problemática ambiental, o trabalho se propõe a interrogar em que medida tais publicações diferem de outros conjuntos de “falas” que também recorrem à questão ambiental em busca de legitimidade política e mercadológica. Que aspectos rompem, reforçam ou negociam com lugares convencionalmente estabelecidos para significar o cruzamento de problemas ambientais e indígenas são as questões aqui pontuadas.

Palavras-chave: imagens técnicas; representação indígena; ambientalismo.

O valor do verde no saber dizer de revistas da Abril

Reges Schwaab

Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Jornalista;

Doutor em Comunicação e Informação pela UFRGS.

Resumo: Projetos editoriais voltados ao ambiental evidenciam sua qualidade de eixo central da contemporaneidade, fazendo com que o jornalismo tome o verde como objeto. É o caso do  Movimento Planeta Sustentável, da Editora Abril, que reprocessa o estatuto de atualidade do ecológico e torna sua abordagem intencional e obrigatória nas publicações do Grupo. Valendo-se da autorização em poder dizer, inerente ao sistema jornalístico, as revistas empreendem um esforço em construir um lugar de competência em saber dizer o tema, sob efeito do qual possam operar diferentes posições-sujeito no discurso do verde, propondo a resolução das ambivalências e soluções adequadas ao tempo presente. O gesto de análise problematiza a prática jornalística a partir da noção de lugar discursivo. Recortes extraídos de reportagens e editoriais de Veja, Superinteressante e Exame, dos anos de 2007 e 2008, são a base empírica para a discussão.

Palavras-chave: jornalismo; discurso; meio ambiente; revistas; projeto editorial.

 

Redefinições do jornalismo ambiental: abordagens teóricas e rotinas produtivas

Antônio Teixeira de Barros

Jornalista, mestre em comunicação, doutor em sociologia, com pós-doutoramento em jornalismo ambiental. Docente e pesquisador do Programa de Pós-Graduação do Centro de Formação e Treinamento da Câmara dos Deputados (CEFOR).

Resumo: Analisa as redefinições do jornalismo ambiental após a Rio 92, com base em estudos acadêmicos realizados no Brasil e em Portugal. O objetivo é identificar as vertentes teóricas que orientam as pesquisas e as abordagens relacionadas às práticas profissionais, além de apontar correlações e paralelos. No campo teórico, destacam-se os estudos sobre agendamento e tematização (agenda-setting), seleção de informações (gatekeeping), e produção jornalística (newsmaking). No âmbito das práticas a ênfase recai sobre a complexidade técnica, a necessidade de formação específica e as características dos relatos jornalísticos sobre o tema. Conclui que o processo que levou o ambiente a se estabelecer na agenda da mídia nos dois países resulta da conjunção de vários fatores (naturais, políticos, econômicos, culturais, ideológicos) e atores sociais (instituições estatais, partidos políticos, entidades científicas, movimentos sociais, ambientalistas e empresariais). Isso reforça o caráter do jornalismo como discurso social dinâmico, poroso e permeável, em constante redefinição.

Palavras-chave: Jornalismo ambiental; Brasil e Portugal; estudos teóricos; práticas profissionais.

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