Desmatamento no Brasil: informação já temos, o que precisamos é agir

Cláudia Herte de Moraes *

Fonte: https://www.oeco.org.br/reportagens/relatorio-mostra-que-998-dos-desmatamentos-no-brasil-em-2020-foram-ilegais/

A informação e a comunicação de dados ambientais são crescentes, sendo cada vez mais relevantes para dar subsídios à tomada de decisões, especialmente, aos formuladores de políticas públicas. Num mundo ideal (ou pelo menos inteligente), sociedade e seus cidadãos, bem como os poderes instituídos deveriam utilizar o conhecimento destes dados para proteger a vida em primeiro lugar, e respeitar os preceitos da proteção ambiental é um caminho bastante importante para o Brasil, devido aos seus biomas ricos em biodiversidade. No lançamento do MapBiomas Alerta, em 11 de junho de 2021, o destaque foi dado ao crescimento do desmatamento em todos os seis biomas brasileiros que fazem parte do monitoramento. O crescimento foi de “13,6% em 2020, atingindo 13.853 km2 (1.385.300 hectares), uma área nove vezes maior que a cidade de São Paulo. Desse total, 61% estão na Amazônia.”. A análise inédita de 74.218 alertas de desmatamento no Brasil está publicada e aberta ao público. (https://mapbiomas.org/pais-perdeu-24-arvores-por-segundo-em-2020).


O MapBiomas Alerta é uma iniciativa do consórcio MapBiomas constituído por mais de 20 instituições, entre ONGs, universidades e startups de tecnologia. Seu objetivo é processar os alertas de desmatamento emitidos por cinco sistemas: o Deter (do Inpe, para a Amazônia e o Cerrado), o SAD (do Imazon, para a Amazônia), o Glad (da Universidade de Maryland, para Mata Atlântica, Pantanal e Pampa), o Sirad-X (do Instituto Socioambiental, para a bacia do Xingu), e ainda incluindo os dados do novo SAD Caatinga (da Universidade Estadual de Feira de Santana e da Geodatin).


A iniciativa MapBiomas surgiu para buscar ferramentas para a compreensão sobre os fatos relacionados ao território brasileiro em relação à emissão de gases de efeito estufa no país, conforme pontuou Tasso Azevedo (Observatório do Clima), na live de lançamento do MapBiomas Alerta. Com isso, é possível organizar o conhecimento tanto em relação ao desmatamento, quanto a outras transformações importantes nos biomas, por exemplo, com a exploração e extração mineral, a utilização de água, a urbanização entre outras. A base do trabalho se dá com auxílio de softwares de aprendizagem de máquina, capaz de auxiliar na interpretação de imagens de satélites, cruzamento de dados, trazendo aos mais de 100 profissionais envolvidos, a possibilidade de interpretação de dados em nuvem, de forma ampliada e em tempo recorde.


A equipe do MapBiomas concluiu que o desmatamento está crescente em todos os biomas e é, em sua vasta maioria, composto de casos de atividades ilegais. Mais de 70% se dá em domínios privados e há possibilidade de responsabilização de ⅔ das áreas desmatadas. No entanto, também apontam que 99% das propriedades rurais não tiveram desmatamento em 2020 – e sofrem com a impunidade daqueles que infringem as leis. Para tratar deste tema neste Observatório de Jornalismo Ambiental, fizemos uma busca exploratória no Google, em busca da repercussão nos jornais, com os termos “Relatório inédito do MapBiomas Alerta”, na data de 13 de junho. A partir das publicações encontradas, pudemos conferir que houve boa repercussão das informações, tanto em portais, jornais alternativos e sites especializados ou institucionais, quanto em jornais e portais mais tradicionais da imprensa brasileira.

Listagem das principais notícias sobre MapBiomas Alerta

Com essa repercussão, que deve ser ampliada durante esta semana, podemos concluir que estamos num momento de intensa proliferação de informações e dados ambientais, sendo que o nosso maior problema é o que está sendo feito (ou não) com estas informações e alertas científicos. Estamos ingressando na década considerada determinante quanto aos destinos e rumos de nossa civilização, levando em conta que estamos muito próximos do ponto de não-retorno quanto à mudança do clima global. A informação ambiental está clara e os cidadãos e seus representantes na política, especialistas e empresários, todos nós precisamos entender esse alerta. A hora é, portanto, de ação. O jornalismo também precisa direcionar sua cobertura quanto aos alertas, e avançar ainda mais no questionamento sobre a falta de ação, especialmente por parte de agentes públicos e de fiscalização, para que haja a real responsabilização dos desmatadores no Brasil.

*Jornalista, doutora em Comunicação e Informação, professora na UFSM, Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS). E Mail: claudia.moraes@ufsm.br

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