Cobertura da COP26 revela novas pautas e vozes

Imagem: Captura de tela de publicação da Deutsche Welle.

Por Ângela Camana*            

O encerramento oficial da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26), adiada pela crise sanitária em 2020, foi na última sexta-feira, dia 12 de novembro. Realizada em Glasgow, na Escócia, as expectativas globais eram altas: a COP26 prometia delimitar como poderão ser cumpridas as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris. Quanto aos pactos estabelecidos, ainda é cedo para afirmar se poderão exceder o “blá-blá-blá” das principais lideranças mundiais, como provocou a ativista sueca Greta Thumberg. Encerrada a quinzena do evento, ainda que o texto final do evento não tenha sido – até o momento da redação deste comentário – publicado, já é possível ponderar sobre o tom adotado na cobertura da imprensa sobre a conferência e sobre as mudanças climáticas.           

Lembro que entre 2009 e 2012 este grupo de pesquisa desenvolveu uma ampla pesquisa sobre a cobertura das COP15 e16, avaliando publicações na imprensa de referência brasileira e portuguesa. Naquela ocasião, identificamos que o jornalismo não era capaz de exceder o discurso ecotecnocrático, privilegiando fontes oriundas dos campos políticos e econômico. Conclusões semelhantes foram delimitadas por pesquisas de mestrado e doutorado defendidas por membros de nossa equipe. Nossas investigações avaliam que as coberturas das cúpulas sobre mudanças climáticas sempre foram marcadas por um otimismo tecnológico, com reportagens que exaltam iniciativas da indústria e do mercado – como os créditos de carbono, por exemplo – como soluções para as transformações globais. Nesse sentido, esta pauta amplamente financeirizada ocupava-se de escutar chefes de Estado, grandes empresários e, quando muito, cientistas.

Passados dez anos, uma análise preliminar indica que ainda prevalecem abordagens da ordem da política institucional, mas é inegável que outros tópicos e outras fontes vêm transformando a pauta neste período. Vozes dissonantes, como as de ativistas climáticas e de povos originários, não são mais restritas a curtas notas (em muito exotizantes), mas ocupam capas de grandes portais. “Os povos indígenas estão na linha de frente da emergência climática, por isso devemos estar nos centros das decisões que acontecem aqui”, disse Txai Suruí, brasileira que discursou na abertura oficial da COP26. A imprensa nacional não apenas repercutiu a fala, mas utilizou o gancho para abordar temas como justiça climática e racismo ambiental.

Imagem: Captura de tela do podcast da Folha de S. Paulo.

Há uma década, este tipo de debate só seria acessado por meio de canais alternativos e de comunicadores independentes – que, aliás, seguem fazendo um trabalho de qualidade, como é o caso de Sabrina Fernandes e da Mídia Ninja. A cobertura da imprensa de referência sobre a COP6 parece estar experimentando um momento de virada: o tom predominante já não é de fascínio tecnológico, nem guiado unicamente por soluções financeiras. Do contrário: esta é justamente acrítica que fez o podcast Café da Manhã, produzido pela Folha de S. Paulo, no dia 12 de novembro, fez às discussões travadas na cúpula. O título do episódio é sugestivo: “COP26: a força da grana nas questões do clima”. Isto me parecia impossível há uma década.  Talvez eu esteja sendo demasiada otimista, é verdade. Mas quero acreditar que a inclusão de novas pautas, fontes e temáticas não são apenas reflexo de mudanças editoriais pontuais, mas um sinal de que jornalistas e veículos, alertas à urgência climática, estão assumindo seu papel diante do interesse público. Convido os leitores e as leitoras a fazerem o mesmo. 

* Jornalista e socióloga. Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Pesquisadora colaboradora no Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental e no grupo de pesquisa TEMAS – Tecnologia, Meio Ambiente e Sociedade. E-mail: angela.camana@hotmail.com.

Vidas indígenas importam na imprensa e para o mundo

Imagem: Reprodução da edição de 3 de novembro de 2021 da CNN Brasil.

Por Carine Massierer*

A importância do ser humano e da espécie humana em seu habitat nunca esteve tão em xeque. Na semana passada, o artista indígena Jaider Esbell foi encontrado morto em seu apartamento, em São Paulo, e a notícia foi repercutida em publicações impressas, em rádios, nas emissoras televisivas e na internet. A causa da morte segue desconhecida. O artista plástico, que pertencia à etnia makuxi, assentada na reserva indígena Raposa Serra do Sol, também se destacava como escritor, ativista e educador.

Natural de Roraima, Esbell foi reconhecido lá fora, no exterior, a ponto de o Centre Pompidou adquirir duas obras suas recentemente, como contou sua marchande Socorro de Andrade Lima, da galeria Millan, que representava o artista, ao Correio Braziliense.

Até final de outubro, sua instalação “Entidades” (que apresentava duas cobras infláveis gigantes) esteve no Parque Redenção, integrando a programação do 28° Porto Alegre em Cena. Suas obras também estão na mostra coletiva “Moquém_Surarî: arte indígena contemporânea”, no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM), durante a 34ª Bienal de São Paulo que vai até final de novembro.

A matéria da CNN sobre tal acontecimento nos traz uma reflexão. Assim como outras publicações, essa também apresentou apenas o fato, a notícia do falecimento de um indígena que ganhou expressividade e reconhecimento público. E, independentemente da causa, trata-se da morte de mais um indígena e do enfraquecimento das lideranças e dos representantes sociais dos povos tradicionais. A imprensa tem feito seu papel noticiando, mas é preciso ir além, como fez a Agência Pública, em final de outubro, ao publicar uma entrevista da antropóloga Lúcia Helena Rangel, que coordenou o relatório do Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

Imagem: Reprodução da publicação de 28 de outubro de 2021 da Agência Pública.

Com base no acompanhamento contínuo feito por missionários espalhados em todo o Brasil e em uma série de dados oficiais, o CIMI detectou que, desde 2015, não havia tantos registros de violência contra indivíduos e territórios indígenas. Em 2020 foram pelo menos 182 vítimas conhecidas, número recorde em 25 anos. Ao todo, os homicídios de indígenas tiveram um aumento de mais de 60% na comparação com o ano anterior, 2019.

Com este levantamento é possível perceber que as vidas indígenas importam e que os povos tradicionais estão desprotegidos. O jornalismo, enquanto parte de um sistema de informação pública, deveria, ao menos, dar mais expressão à cultura indígena e seus representantes não só em momentos onde o factual impera, como no caso da morte de Esbell, mas ampliar e diversificar a cobertura para que a população entenda que eles estão sendo historicamente dizimados.

*Carine Massierer é jornalista, mestre em Comunicação e Informação pela UFRGS e integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS).

Da COP26 às matérias cotidianas: agendas complementares para comunicar a emergência climática

Imagens: Pixabay

Por Michel Misse Filho*

O assunto não poderia ser outro: teve início, neste domingo (31), a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática (COP26), adiada por conta da pandemia, e que visa atualizar as metas de redução de emissão de CO2, tornando-as mais ambiciosas para conter a emergência climática em curso. O objetivo final, como firmado desde o Acordo de Paris em 2015, é limitar o aumento de temperatura do planeta para no máximo 1,5 °C em relação aos níveis pré-industriais — esta marca, já considerada inviável por muitos, poderia ser flexibilizada para 2 ºC num cenário ainda otimista para o atual estágio de emissões, embora incerto em suas consequências. Nas palavras de Patrícia Espinosa, chefe da Convenção do Clima, “é muito mais do que meio ambiente, trata-se de paz”, noticiou o jornal O Globo.

Os resultados da conferência serão avaliados nos próximos dias, bem como a cobertura da imprensa. Já nos preparativos para o encontro, destacamos a atuação d’O Globo, que promoveu um “Especial COP-26”. Foi também o único jornal que destacou a conferência na capa da versão impressa de domingo, e ratificada no editorial — Folha de SP e Estadão, embora tenham publicado matérias nos últimos dias, foram mais tímidos no destaque. A matéria de capa introduz os desafios e especificidades da COP26 (por exemplo, a primeira revisão das Contribuições Nacionalmente Determinadas, NDCs), com foco na situação de EUA e China, os dois principais poluentes. Acompanha, na mesma edição, esta reportagem que apresenta, em gráficos, o histórico de emissões, de aumento na temperatura etc., evidenciando a necessidade de maior ambição — e ação efetiva, por óbvio — dos países.

Um dia antes do início da conferência, o jornal havia publicado uma matéria visando elucidar, para o público, as expressões e jargões utilizadas no debate ambiental.  A iniciativa de apresentação dos termos é importante por si só, mas também parece sintoma de um problema maior: o “descolamento” do público com o debate climático de uma maneira geral, permeado de “juridiquês” e “numerês” ambiental, que cumpre apenas parcialmente a função informativa do jornalismo diante do maior desafio do século. Aliado a estes problemas, há o infeliz diagnóstico de que o gancho das conferências da ONU permanece em boa medida sendo condição necessária para o destaque, em primeira página, do jornalismo ambiental.

Não se trata de criticar as boas matérias que elucidam, cientificamente e politicamente, as preocupações e o cenário envolto às grandes conferências. O ponto é requisitar, de forma complementar, que outras reportagens no dia a dia tragam o tema à tona, e numa perspectiva mais próxima ao cidadão. Segue o exemplo desta matéria, também d’O Globo, abordando a ameaça que paira sobre o litoral brasileiro por conta das mudanças climáticas e da histórica ocupação urbana.  O gancho é o aumento de obras em orlas de cidades como Balneário Camboriú e Fortaleza, como o alargamento da faixa de areia, e alguns dos impactos imprevistos das intervenções; a matéria ainda aborda a publicação do MapBiomas, semana passada, que o país perdeu 15% de sua área costeira desde 1985. Se o “numerês” e o “juridiquês” da grande pauta climática é importante, a pauta localizada — desde que atenta às mudanças climáticas —, passa a ser o seu complemento imprescindível para comunicar a emergência climática em curso. 

*Jornalista, doutorando em Sociologia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP/UERJ) e mestre em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS). E-mail: michelmisse93@gmail.com.

Bots, automação de dados e o jornalismo no encalço do garimpo

Por Mathias Lengert*

Imagem: InfoAmazônia. Bot do Amazônia Minada mapeia requerimentos minerários em áreas protegidas.

Nas redes sociais, especialmente no Twitter, robôs estão se tornando ferramentas ágeis para que jornalistas atualizem os leitores – e a si próprios – sobre informações de interesse público, sendo especialmente relevantes na cobertura de questões ambientais. Essas contas automatizadas, também chamadas de bots, são programadas com o auxílio de algoritmos para monitorar acontecimentos, decisões judiciais e colaborar com a transparência de dados.

A automação de dados favorece o rápido acesso a informações brutas e possibilita uma atuação jornalística aprofundada, que dispõe de mais tempo para investigar os dados levantados. Entre diversas iniciativas, três projetos estão vinculados à proposições ambientais, o bot do Amazônia Sufocada, que emite alertas sobre focos de queimadas nesse bioma, e o bot do Amazônia Minada, responsável por monitorar requerimentos de mineração em terras indígenas e unidades de conservação da Amazônia, ambos gerenciados pelo InfoAmazônia com apoio do Rainforest Journalism Found e do Pulitzer Center; e o Robotox, um projeto da Agência Pública e da Repórter Brasil, que informa sobre os agrotóxicos liberados pelo governo federal.

Embora essas ferramentas estejam alinhadas com um interesse por informações instantâneas, sem tratamento, elas não dispensam a responsabilidade do jornalista em contextualizar em seus textos os dados coletados pelos bots. Ao promover interrelações de um acontecimento com as suas circunstâncias, o jornalismo explora o contexto de dados e informações, até então fragmentados, e apresenta distintas realidades aos leitores. 

As pautas ambientais, como o avanço sórdido do garimpo em terras indígenas, por exemplo, demandam atenção para sua complexidade e urgência. A partir do bot Amazônia Minada, o InfoAmazônia organiza os dados e direciona as suas reportagens para essas necessidades. Ao investigar os recorrentes ataques de garimpeiros aos Yanomami, os dados do projeto indicaram que ao menos um terço de seu território estava sendo requerido para mineração na Agência Nacional de Mineração (ANM), uma área equivalente ao tamanho da Bélgica. Em reportagem recente, o veículo denuncia os pedidos de uma cooperativa de mineração para explorar uma série de territórios indígenas. Para isso, o InfoAmazônia mapeou os dados disponibilizados pelo Sistema de Informação Geográfica da Mineração, da ANM, além de questionar autoridades.

Enquanto os retrocessos da especulação e invasões em terras indígenas possuem o apoio de integrantes do governo de Jair Bolsonaro, o jornalismo do InfoAmazônia, por sua vez, realiza um significativo trabalho de monitoramento da destruição da floresta, seja a partir de dados ou da escuta de indivíduos impactados, e assim, contextualiza os impasses da exploração de minérios no ambiente amazônico. A automação de dados, por sua vez, é uma aliada produtiva ao jornalismo, permitindo que as investigações se estruturem a partir dos fatos mais alarmantes, sem deixar de promover interlocuções com o público.

*Mathias Lengert é jornalista, mestrando em Comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e integrante do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS).

COP26 é mote para cobertura climática, mas busca ativa por pautas deve ser constante

Débora Gallas Steigleder*

A crise climática é uma pauta urgente e vem ganhando cada vez mais espaço no noticiário. Mas será que a cobertura jornalística de fato evidencia a complexidade dos cenários identificados pela ciência e de seu impacto em nosso cotidiano?

À época da divulgação do sexto relatório do Painel Intergovernamental de Mudança do Clima da ONU (IPCC), em agosto deste ano, o texto de Cláudia Herte de Moraes publicado neste Observatório citou a justiça climática como viés incontornável para termos coberturas qualificadas e aprofundadas sobre as consequências do aquecimento do planeta. Por esse entendimento, dar voz às populações afetadas pela desigualdade socioambiental é parte importante para a definição de prioridades no enfrentamento às mudanças climáticas.

Às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas de 2021 (COP26), que ocorrerá a partir de 31 de outubro, em Glasgow, na Escócia, a cobertura midiática, de forma geral, repercute as reivindicações do setor privado e os posicionamentos de líderes globais sobre as questões climáticas. Ao buscar por “COP26” no Google Notícias, em 14 de outubro, encontramos resultados como a notícia de Canal Rural que relata a exigência de conselho de empresários brasileiros para que o governo federal regule o mercado de carbono no país. Outra notícia com forma e conteúdo de press release, publicada no site EmTempo, do Amazonas, detalha o encontro do Ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, com o embaixador da Noruega no Brasil, em que o mercado de carbono e a bioeconomia também foram pauta.

No entanto, ainda carecem abordagens sobre os problemas e soluções estruturais diante da emergência climática que utilizem a COP26 como mote. Algumas lacunas são supridas através da comunicação produzida pelos próprios grupos vítimas da injustiça climática através das redes sociais. Em sua conta no Instagram, a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), por exemplo, noticiou a realização da Oficina de Mudanças Climáticas com lideranças indígenas brasileiras que acompanharão a COP26. Mas é necessário que este seja um compromisso constante do jornalismo.

Como resultados da COP26, esperamos não somente metas mais ambiciosas, mas também planos de ação dos governos que participarão da Conferência para não ultrapassarmos o já inevitável aquecimento do planeta em 1,5ºC. Do jornalismo, esperamos narrativas mais aprofundadas, que sensibilizem e mobilizem a população em torno do tema.

*Jornalista, pós-graduada em Comunicação e Informação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Integrante do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS). E-mail: deborasteigleder@gmail.com

Consumo pós-pandemia: temos algo a comemorar?

Imagem: Captura de tela do site de O Globo

Por Eutalita Bezerra


Com a média móvel de mortes por covid-19 em queda – mesmo com o Brasil atingindo, nos últimos dias, um patamar aterrador de 600 mil vidas perdidas -, a expectativa de retomar a vida “normalmente” já é uma realidade para diversos setores. No comércio, uma consequência esperada (e até fomentada, como abordaremos a seguir) é chamada de revenge buying, revenge shopping ou, em bom Português, consumo de vingança. O termo, que começa a se popularizar em reportagens no Brasil, traz consigo um apelo às compras derivado do período de restrição. Isso se reflete, claro, em mais pressão no planeta e leva-nos a um espiral perigoso. Mas como o jornalismo tem lidado com o assunto?

Embora o termo não seja novo, a discussão sobre revenge buying ganhou força em meados de 2020, após o confinamento na China, determinado pela pandemia do novo Coronavirus. O fenômeno social de consumo, que foi facilmente percebido pelo mercado de luxo, contou com dois momentos auge naquele país: o primeiro, online, ainda durante a quarentena; e o segundo, em compras no ambiente físico, logo após o período de distanciamento físico.

Em nosso país, no qual o lockdown nunca foi uma política pública e o comércio ficou restrito por um período muito curto de tempo, parece-nos um malabarismo enorme apostar que um possível aumento no consumo decorra das mesmas bases encontradas na China. Apesar disso, não raro localizamos o termo no jornalismo brasileiro.

Em reportagem publicada no último dia 1º deste mês, intitulada “Retorno da noite de São Paulo, abalada pela pandemia, é marcado por ‘consumo de vingança’ e incertezas” , a prática de comprar mais que o habitual (e necessário) é descrita como uma “pequena indulgência” para comemorar o fato de estar vivo (!). Tratando dos hábitos de consumo em bares e restaurantes, a discussão no texto de O Globo não ultrapassa os limites dos tão convencionais “retomada da economia” e “projeção de receita a níveis pré-pandêmicos” e o consumo exacerbado é descrito como “uma farra que não vai durar muito tempo”.

Para além do insulto, considerando a situação econômica do país, em que vísceras e aparas de pescados ou ossos de animais são vendidos para alimentação de uma população cada vez mais pobre,   sustentar a discussão de consumo como apenas uma lógica comercial, pela qual se poderia salvar a economia, é ser superficial demais. Ou, no mínimo, mal intencionado.

As consequências ambientais decorrentes de um consumo acima dos limites do planeta colocam a todos em risco. E fazê-lo para festejar a sobrevivência ou para alcançar um sentimento de completude é um contrassenso que nos empurra a passos largos para o colapso. 

O consumismo como passaporte para o bem-estar, aliás, é assunto que El Pais Brasil, explorou nos últimos dias, com uma reportagem intitulada ” Consumir procurando uma felicidade que nunca chega, como compramos para construir nossa identidade“. Nesta, destacamos:

“Ao consumo são atribuídas uma série de vantagens que ele na verdade não tem, mas o consumismo continua sendo encorajado, já que é o combustível principal do atual sistema econômico.”


Neste sentido, além de discutir as razões para o consumismo e o modo como a publicidade (ou, mais especificamente, os mais de 6000 estímulos publicitários que recebemos diariamente, como dito na reportagem) constrói a ideia de compra como terapia e atividade de lazer, a reportagem reconstitui o surgimento do consumismo como fenômeno próprio de sociedades desiguais.


No subtitulo “Contra os limites do planeta”, El Pais Brasil pontua que consumimos hoje como se tivéssemos à disposição 1,7 planetas Terra, e esse ímpeto está relacionado aos nossos valores, ao que nos emociona. Levando isso em conta, um consumo dito ecológico, sustentável e, porque não, anticapitalista pode, em vez de ser uma forma de se afastar do exagero, tornar-se mais uma opção de compra. O que muda é como estas lógicas se alinham com o que tomamos como correto. 

Assim, propiciar um entendimento mais amplo acerca das causas e consequências das nossas ações individuais – nesse caso, do consumo, seja ele por vingança ou pelo desejo de alcançar a felicidade – embora não seja a chave para a resolução dos nossos problemas ambientais, é uma maneira de construir novos valores que repercutirão na nossa tomada de decisão perante um mercado cada vez mais agressivo.

*Jornalista, doutora em Comunicação e Informação pela UFRGS. Membro do GPJA. E-mail: eutalita@gmail.com

Jornalismo e o “haboob” à brasileira

Imagem: Captura de tela de site da BBC Brasil

Por Míriam Santini de Abreu*

As fotografias e vídeos da tempestade de poeira que atingiu 25 cidades do nordeste de São Paulo e do Triângulo Mineiro no dia 26 de setembro, com nova ocorrência em 1º de outubro, varreram as mídias sociais. O “haboob” – nome dado pelos meteorologistas para as tempestades de areia nas regiões mais áridas do planeta – pautou os veículos de comunicação, com destaque para a reportagem da BBC News Brasil assinada pelo jornalista João Fellet e intitulada “Desmatamento e modelo agrícola aumentam risco de ‘tempestade de poeira’”. A notícia, em https://bbc.in/3zVYvIc, aborda a relação do fenômeno com a existência de grandes porções de solo seco e sem cobertura vegetal na região, onde há forte presença do agronegócio.

A notícia traz quatro imagens de satélite, cinco fotos e um mapa dos remanescentes de vegetação natural em São Paulo em 2008/2009 revelando que a concentração do que restou está no litoral do estado. Três fontes – o coordenador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites da Universidade Federal de Alagoas, o presidente da Fundação Florestal do Estado de São Paulo e o diretor técnico da Unica, principal associação que representa o setor de cana-de-açúcar no Brasil – desenvolvem o argumento. O repórter consultou ainda o Relatório de Qualidade Ambiental 2020 feito anualmente pela Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do governo de São Paulo e o Censo Agropecuário de 2017.

Um destaque da notícia é a menção ao Dust Bowl, como foi chamada a série de tempestades de poeira que atingiram o sul dos Estados Unidos nos anos 1930, quando milhões de hectares de terras antes consideradas férteis se tornaram inaptas para a agricultura. A notícia não imerge no espaço geográfico onde ocorreu o “haboob” à brasileira, mas, ao se apresentar como aprendiz de agrofloresteiro e meliponicultor em sua conta no Twitter, o repórter João Fellet – @joaofellet – faria bonito ao desenvolver a pauta in loco e de lá trazer uma baita história.

Com relação ao tema cabe mencionar também o trabalho feito pela AFP no “Checamos”. A agência verificou sete imagens de tempestades de poeira compartilhadas mais de 40 mil vezes nas redes sociais de 26 a 28 de setembro vinculadas ao fenômeno e constatou que ao menos três eram anteriores ao fato e algumas sequer haviam sido feitas no Brasil – em https://bit.ly/3omIOrr. Uma das mais compartilhadas era de uma tempestade ocorrida em Phoenix, no estado do Arizona (Estados Unidos), em 2 de agosto de 2018 e creditada ao fotógrafo Jerry Ferguson. Essa foto foi usada até para montagem do conhecido meme do cão caramelo, em https://bit.ly/3oqhM2r. Os comentários nesta postagem, parte deles de moradores da região atingida no dia 26 de setembro, revelam a preocupação com o fenômeno, suas causas e consequências, apontando caminhos para mais pautas aprofundadas sobre o fato que, neste domingo (3), também foi abordado nos programas “Fantástico” e “Cidades e Soluções”, da Rede Globo, com pauta alinhada à da notícia da BBC News Brasil.

*Jornalista, especialista em Educação e Meio Ambiente, mestre em Geografia e doutora em Jornalismo. E-mail: misabreu@yahoo.com.br

Mais uma vez, a desinformação ambiental é a pauta

Imagem: Reprodução IstoÉ Dinheiro

Por Eloisa Beling Loose*

Na última terça-feira, dia 21 de setembro, durante discurso na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), mais uma vez, tivemos uma autoridade pública à serviço da disseminação de informações descontextualizadas e manipuladas para endossar sua própria realidade. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, exagerou, tirou do contexto e pronunciou inverdades a respeito do meio ambiente,  conforme checado pelo Fakebook.eco, uma iniciativa de checagem dos fatos do Observatório do Clima.

A produção de conteúdos descontextualizados ou criados com a intenção de enganar e gerar confusão no público não afeta apenas a área ambiental, mas se expande por todos os setores da nossa sociedade. Tal fenômeno foi chamado pela Organização Mundial da Saúde (2020) de infodemia, já que gera dificuldade na distinção entre as informações verdadeiras e as falsas, e deixa dúvidas sobre em quem devemos realmente confiar.

As distorções sobre o desmatamento e as queimadas na Amazônia, apresentadas nos discursos do presidente na ONU, integram a lista das mais de 30 violações de direitos humanos e retrocessos propagadas nos mil dias pelo governo de Jair Bolsonaro, divulgada nessa sexta-feira, dia 24, pela Anistia Internacional. Não há mais lugar ou contexto que restrinja a circulação de palavras enganosas – ao contrário, parece que, se pronunciadas em espaços respeitáveis, ganharão, automaticamente, estatuto de confiáveis. Afinal, quem ousaria, publicamente, mentir para o mundo todo?

Diante de tal problema, que se intensificou com a postura do governo de descredibilizar o trabalho da imprensa e de tentar reduzir a questão ambiental a um aspecto ideológico, o que o jornalismo pode fazer? Já não são apenas por mensagens via aplicativos e redes sociais que nos chegam as mentiras, mas elas são propagadas pelos próprios meios de comunicação, ao dar espaço para as fontes emissoras de desinformação. Até que ponto reproduzir os discursos dos responsáveis pela infodemia é serviço público? Como não normalizar o problema e, ao mesmo tempo, reduzir a visibilidade desses propagadores?

Profissionais da área estão aprendendo a combater a enxurrada de distorções com agências, editorias e matérias baseadas na verificação dos fatos (ou fact-checking). A ênfase sobre a repercussão negativa das mentiras ditas pelo presidente apareceu em grande parte dos veículos, como IstoÉ, G1, Estadão, Folha de S. Paulo, Veja – só para citar alguns, e também rendeu manchetes internacionais que em nada beneficiam nosso País. Porém, ainda é difícil saber se essa abordagem contribui para a redução da circulação ou interfere na credibilidade do que já foi falado.

Mais do que os veículos jornalísticos enfatizarem a checagem das informações, seria preciso que a infodemia fosse vista como um problema social, que fosse enfrentado por todos, inclusive com políticas públicas. Fomentar um olhar crítico sobre os conteúdos, que muitas vezes reproduzem o formato dos produtos jornalísticos, é algo que se mostra urgente e necessário para que as evidências científicas não sejam contestadas e para que possamos avançar no debate sobre as crises que ameaçam o futuro da humanidade.

* Jornalista, doutora em Comunicação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e em Meio Ambiente e Desenvolvimento pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Vice-líder do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS).

Arrabalde, o dossiê sobre a(s) Amazônia(s) apurado e escrito por Moreira Salles

Imagem: Captura de tela – Versão digital da sexta e última parte do especial escrito por João Moreira Salles publicada na edição de abril de 2021 da revista piauí
 

Por Roberto Villar Belmonte*

O especial Arrabalde foi publicado em seis edições da revista piauí como um dossiê, formato de texto jornalístico do gênero interpretativo. Os artigos – “resultado de dois anos de pesquisa e cinco meses de apuração diretamente na região Norte” – de autoria de João Moreira Salles, editor fundador da publicação, poderiam também ser classificados como grande reportagem seriada, ensaio jornalístico, reportagensaio ou reportagens atravessadas, como diria Eduardo Geraque (2006).

Juntando as seis partes publicadas nas edições mensais da versão impressa da piauí, de novembro de 2020 até abril de 2021, o especial ocupa 77 páginas: 49,5 delas com texto, 7 com ilustrações e 20,5 com anúncios da Natura, da Vale, do Itaú e da Agropalma. Moreira Salles destrincha relatos históricos, pesquisas econômicas e estudos ecológicos sobre a floresta amazônica e mobiliza uma quantidade surpreendente de fontes (mais de 70 entrevistados), com destaque para personagens do Pará.

Parte I: A floresta difícil

O principal objetivo da apuração de fôlego empreendida por Moreira Salles é mostrar que o modelo de desenvolvimento para o bioma, que ocupa metade do território nacional, precisa levar em conta uma economia florestal baseada em produtos nativos. “As forças que avançaram sobre a floresta nunca tentaram compreender a real vocação da mata, aquilo de que ela é capaz. O processo de ocupação da Amazônia pode ser entendido como um grande fracasso epistêmico.” Resgatando relatos históricos sobre a região, o autor identifica três estratégias narrativas: um adjetivismo apoteótico, um panteísmo mágico e um derrotismo fatalista. Ele busca um outro caminho para tecer seus artigos, o da bioeconomia como oportunidade de negócio sustentável.

Parte II: Sete bois em linha

A ocupação da Região Norte lembra a conquista do oeste dos Estados Unidos, com uma grande diferença, observa Moreira Salles, aqui “não desenvolvemos uma épica amazônica para compartilhar entre nós”. Faltou construir, ressalta, uma Amazônia simbólica. “Exercermos uma espécie de colonialismo indiferente, ocupamos sem querer conhecer.” O Brasil optou por destruir muito em troca de pouco e a um custo imenso, denuncia entre relatos sobre a importância da diversidade biológica para a sobrevivência dos ecossistemas. A imagem que o repórter presenciou subindo a BR 163 de sete bois em linha para resistir ao calor na sombra de um tronco solitário de árvore sintetiza o modelo predatório que já devastou pelo menos 1/5 da floresta.

Parte III – A fronteira é um país estrangeiro

A entrevista que fez com Robert Schneider, economista aposentado do Banco Mundial, é um ponto alto da série de artigos, pois Moreira Salles esmiuça com ele o relatório Governo e Economia na Fronteira Amazônica que publicou em 1995 mudando a maneira de compreender a destruição do bioma. “‘Mineração de nutrientes’ foi a expressão criada por Schneider para nomear a extração não sustentável de nutrientes do solo florestal mediante corte e queima da vegetação, com o objetivo de abrir espaço para a lavoura e a pecuária extensiva.” O engenheiro agrônomo e pesquisador Adalberto Veríssimo, do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), participou da conversa, e aparece em outras partes do dossiê.

Parte IV – A reviravolta

“A cultura do boi produz uma estética, um gosto, define hábitos, uma identidade, formas de enxergar a realidade. Em regiões como Paragominas, o agronegócio é muito mais que uma atividade econômica. É um modo de estar no mundo que une jovens e velhos, modernos e arcaicos, liberais e conservadores, além, é claro, de reacionários. É a cultura hegemônica que os vitoriosos impuseram à Amazônia. São as cabines duplas, os adereços taurinos nos para-choques das picapes com tração nas quatro rodas, os rodeios, a música sertaneja, a glorificação do cavalo e a submissão do boi, as feiras agropecuárias, a brasa e o churrasco. Em suma: o contrário da selva, a sua negação.”

Parte V – O reencontro

Entrevistando Ester Ymeriki Kaxuyana com ajuda da filha Vaneusa, de 20 anos, Moreira Salles conta a saga do povo Kaxuyana desterrado por causa de epidemias e ações missionárias. Depois apresenta os Sakaguchi, imigrantes japoneses de Tomé-Açu, município localizado no nordeste do Pará, que adotaram o sistema agroflorestal como uma forma de fazer a agricultura trabalhar com a floresta, não contra ela. “É outro modo de fazer as coisas, ou outro modo de estar no mundo. A mecanização é difícil, por exemplo. A diversidade de espécies exige não apenas uma competência, como as monoculturas, mas várias, tantas quanto forem as plantas ali presentes. É uma agricultura para artesãos, não para industriais.”

Parte VI – O que queremos?

A narrativa em prol da bioeconomia é apoteótica no final. “Levada adiante, a ideia de um Brasil que retira do seu patrimônio natural, e da Amazônia em particular, o fundamento de sua identidade e de seu destino, que transforma o arrabalde em nossa casa, por assim dizer, impõe ao país uma tarefa magnífica. No limite, a de desenvolver em terras brasileiras o Vale do Silício da biodiversidade.” Moreira Salles percebe seu tom utópico e termina assim o dossiê: “Pouco importa se o objetivo é fantasioso e difícil de alcançar. O que importa é o rumo. Para um país que sempre sonhou baixo, é uma linda ambição, apta a evitar que, no futuro, uma criança olhe para um mogno e aprenda que está diante de uma pilha de tábuas de compensado”.

Assim como o documentário No Intenso Agora, de 2018, considero o dossiê da revista piauí chamado Arrabalde (2020/2021) uma obra de referência do cineasta, editor e (agora também) repórter João Moreira Salles. Um jornalismo ambiental de profundidade sobre futuros possíveis para a nação brasileira.

Referência:

GERAQUE, Eduardo Augusto. Reportagens atravessadas: um mergulho, via Teoria Geral dos Sistemas, na cobertura da poluição atmosférica feita por jornais brasileiros e mexicanos. Tese (doutorado). 2006. 243 f. Programa de Pós-Graduação em Integração na América Latina, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2006.

*Roberto Villar Belmonte é jornalista, professor e pesquisador dedicado à cobertura ambiental. Membro do Grupo de Pesquisa Jornalismo Ambiental (CNPq/UFRGS).

O jornalismo de opinião pode perpetuar negacionismos? 

Imagem: Reprodução do jornal Zero Hora

Por Matheus Cervo*

No dia 9 de agosto de 2021, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) emitiu um dos mais completos e conclusivos relatórios sobre a grave crise ecológica e planetária que enfrentamos. O documento tem mais de 3 mil páginas que foram escritas por aproximadamente 200 cientistas oriundos de 60 países diferentes a partir de anos de pesquisa sobre o tema, citando mais de 14 mil estudos que dão base às conclusões feitas. 

Após apenas um mês de emissão do relatório, o jornal Zero Hora (ZH) publicou um infeliz artigo de opinião de Flávio Juarez Feijó chamado “Aquecimento Natural”. Apesar de ser geólogo e ser mestre em geociências, Flávio foi abraçado pelo jornal da capital gaúcha por suas opiniões descabidas que não possuem nenhum embasamento científico. 

Nesse artigo aprovado por ZH, ele ousou em dizer que o relatório do IPCC é alarmista e que tem como meta o impedimento do crescimento de países subdesenvolvidos como o Brasil. Como supostos argumentos científicos, afirma que as mudanças climáticas atuais fazem parte de um ciclo natural da terra e que não é necessário reduzir nenhuma emissão de gases de efeito estufa. Ainda, opina que as metas de carbono zero fariam a sociedade voltar a andar a cavalo e que a agricultura do nosso país voltaria a ser movida por arados a boi.

Em letras miúdas quase imperceptíveis ao(à) leitor(a), o jornal ZH escreve no rodapé da página do artigo: “Os textos não representam a opinião do Grupo RBS”. Contudo, essa não é a primeira vez que ZH abraça as opiniões de Flávio, já que publicou outro texto do geólogo em 2018 chamado “descarbonizar não é preciso”. Neste texto, sem nenhuma referência científica, diz que o derretimento das geleiras não acrescentaria uma “gota no oceano”, que o gelo da Antártica está protegido e que o nível do mar não irá subir. Ainda assim, não se contém e diz que, caso várias áreas do planeta derretam devido ao “aquecimento natural”, deve-se aproveitar as “benesses” do contexto e criar novas rotas de navegação e vastas áreas de agricultura (!).

Não é preciso dizer mais nada para afirmar que escolhas editoriais como essa são perigosas e devem ser apontadas como tal. Pequenas notas em rodapé não devem justificar a falta de responsabilidade de veículos de comunicação para com a pauta do colapso climático. É importante dizer que essas escolhas estão sendo feitas por muitos jornais brasileiros, como Folha de São Paulo, que publicou um péssimo texto de Leandro Narloch chamado “Negacionistas e aceitacionistas se equivalem na reação histérica contra quem questiona seus dogmas”. A publicação foi feita apenas 8 dias depois da emissão do relatório do IPCC e apenas 3 dias após manifestação do ombudsman da Folha contra o mesmo colunista.

Esse pronunciamento do ombudsman só ocorreu devido à grande polêmica que os diversos textos negacionistas de Narloch causaram na opinião pública através das redes sociais. Por isso, devemos nos manter alerta às decisões editoriais como as de Zero Hora e nos manifestarmos criticamente para que o jornalismo brasileiro não aja como se o colapso climático fosse questão de opinião.

*Graduado em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e mestrando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da mesma universidade.